sexta-feira, 2 de junho de 2017





IRMÃOS

(pode ser o melhor que a vida nos dá...)


Fui convidada para participar, no sábado, numa iniciativa da Câmara Municipal de Faro, relacionada com a temática dos irmãos
Sim, parece que agora há um dia dos irmãos e tudo e, a esse propósito, irei participar nesta conversa a várias vozes sobre este assunto. É giro e sinto-me gratificada pelo voto de confiança. Espero estar à altura.
Falar dos meus irmãos é falar sobre mim: sobre a minha infância, as minhas memórias partilhadas, aquelas memórias de sítios e cheiros e espaços e acontecimentos que tive a sorte de partilhar e que nos definem como pessoas. Falar dos meus irmãos é falar sobre a partilha dos afetos relativa ao amor grandioso dos meus Pais por nós os três e perceber, agora adulta e mãe de três, que isso é mesmo assim:um amor grandioso que estica e toma peso igual para os vários filhos. Falar dos meus irmãos é falar de cumplicidade, aquela que me permite partilhar com eles, não só uma genética, mas também uma história de vida e de afetos por outros e outras que nos são comuns. Falar dos meus irmãos é falar de uma aceitação de percursos diferentes e de maneiras diferentes de estar e de pensar sobre as coisas, mas achar e sentir que isso é espetacular na mesma, porque não divide ou separa, só torna cada um de nós, distinto do outro e isso, o que tem? Falar dos meus irmãos é falar de dores comuns, alegrias comuns, partilha de bom e de mau. Falar dos meus irmãos é falar de um palco onde cabíamos os três e onde tomávamos parte de uma vida real que nos definiu. Falar dos meus irmãos é isto tudo. É dizer que não podia viver sem eles na minha vida, mesmo que o Nuno já esteja noutra dimensão, que não é física e mesmo que eu não esteja com o João todos os dias. É dizer-lhes que os amo muito e que gosto que estejam comigo, que falo neles, que tenho orgulho, apesar das nossas diferenças e que acho que isso, quem sabe, passa para os meus filhos, levando-os a achar e sentir que ter irmãos pode ser (e é) a melhor coisa do mundo. Mesmo que, às vezes, sejamos todos insuportáveis, uns com os outros. Afinal, a vida real é isso!



P.S. João, estavas a fazer uma birra... ah, pois é!