quarta-feira, 19 de julho de 2017




DOSSIERS...


À medida que vou fechando dossiers, vou registando sinapses cerebrais que me alertam para o quase, quase, quase que estão a chegar as férias. É uma esplanada que me parece mais apelativa, é o livro X e Y e Z, que me salta à vista, reagindo aos meus freniquoques de leitura, é o pôr-do-sol que apetece ficar a ver, é o jantar mais tarde porque sim, é a casa dos amigos e o ajuntamento aqui e ali que sempre fazemos, é, é, é...   Sim,  as férias estão assim-já-tao-perto-que-quase-lhes-posso-tocar, alimentando no meu subconsciente todas as ideias boas do que quero fazer nelas e com elas, como se dessem para tudo, retemperassem a 100%, ou eclipsassem no espaço, preocupações e pendentes.
Não. As preocupações não desaparecerão e os pendentes ali continuarão assim mesmo, pendurados num tempo parado em que esperam para ser resolvidos e o cansaço voltará todo sobranceiro, mas a sensação inigualável de anestesia e de um egoísmo tão bom que nos alimenta os gostos, os hobbies, as preguiças, os passeios e tudo o mais e resto que queiramos fazer, isso ninguém tira às férias e então elas assim são para nós: tempos nossos, bons, sugados até ao tutano, vividos com quem escolhemos, passados onde queremos e  preparando-nos então, para os chatos dos pendentes, esses sim, uma real seca.
Cá por mim, não lhes fujo, mas por agora que fiquem assim mesmo: pendurados à minha espera
Por agora, quero aproveitar MUITÍSSIMO!!





sábado, 8 de julho de 2017





COLA-TUDO










E esta cumplicidade de irmãs, abismalmente diferentes uma da outra, este sorriso partilhado, estas vivências juntas, este segredar, este recorrer uma à outra, este chamar de mana, este pedir de conselhos, esta partilha. E este  trocar de experiências comuns, dar-vos-á uma cola-tudo que vos fará não descolar mais da vida uma da outra, mesmo que as diferenças que vos distiguem, sejam só isso: diferenças dadas pelo ADN, mas relativizadas na vida real. 
E sim, adoro as fotos que me mandam, ou não fosse eu uma mãe babadíssima

da vossa fotogenia... (como todas as mães, acho...)




P.S- Servirá também para me ir habituando para quando vos tiver as duas fora... Para já, consola-me o tempo (tempinho) que ainda falta e o ter ainda o Pedro a gritar pela casa como um Tarzan... UFA!!!








terça-feira, 4 de julho de 2017




TESOURO


E pronto, às vezes uma foto tirada à pressa no jardim, entre gritos e desassossego, faz-nos insuflar o coração e agradecer, agradecer  imenso por este tesouro. O melhor de todos.  O único que importa!
E pronto, não resisti..


segunda-feira, 3 de julho de 2017




SENHORES DO TEMPO





Entrei nos 45 num dia de sol e calor, talvez como no dia em que nasci, num hemisfério sul distante, numa cidade maravilhosa de sol tropical. 
Foi um dia estranho, este ano, meio enevoada no meio de tudo o que aconteceu, mas foi também um dia confiante e dedicado, onde estive com quem mais gosto e que acabou com o melhor de tudo o que tenho: o meu núcleo mais que sagrado, caseiro, ruidoso e barulhento, maravilhoso e grande, heterogéneo, único e meu.
E pronto, já tenho 45. 
Noto diferenças em mim em muitas coisas: na paciência, na resistência física, na disposição para algumas coisas, mas noto também gostos antigos ainda mais apurados (leia-se exigentes?), talvez porque já sei bem o que quero e do que gosto, talvez, talvez...
E  essa exigência é também porque o tempo passa depressa demais e nos torna impacientes para o que não interessa. Passa a uma velocidade que não controlamos, com constelações de coisas paralelas à volta dele que o tornam dominante e soberano. Não podemos fugir-lhe, isso é certo. É sinal de vida e de caminho, de desenvolvimento (assim se queira) e de futuro. Podemos é, seguramente, obrigar-nos a fazer dele um marcador bom, com coisas boas que nos distingam, com esperança e otimismo, com baixos e altos e altos e baixos que nos reequilibram sem cessar, com memórias boas que guardamos e com cheiros e gente que escolhemos ter.
Pois é, pois é... senhores do tempo nunca seremos, mas senhores do que queremos fazer dele, isso sim, essa escolha é muito nossa. E imperiosa!



P.S. E por aqui passará sempre a minha escolha. 

terça-feira, 27 de junho de 2017






BRUMAS

Mesmo entupidinha de coisas para fazer e a teclar de trabalho, teclar, teclar sem fim e mesmo com o coração em caquinhos pequenos que teimo em não deixar que se descolem, obrigando-me a exercícios constantes de serenidade e confiança perante o que se avizinha, (serenidade e confiança, serenidade e confiança, serenidade e confiança, serenidade e confiança, serenidade e confiança...) conseguiste ir passando pelas brumas do meu pensamento, brumas sim, que o pensamento está enublado, de espetativa, trabalho, receios, logísticas.
Isso não me tira o sorriso. Não sinto que tenha que carregar esta bruma, acompanhando-a de pesar, tristeza. Sinto que tenho que "educá-la", não a deixando toldar a alegria de dias felizes e luminosos, que este sol algarvio tão bem tempera.
E pronto, tu temperas também. Por fazeres parte da minha vida e por seres, se calhar, uma das causas de um equilíbrio que sinto e me ajuda a ser assim.
E mesmo nesta bruma toda, sabe bem ter-te comigo, beber um café ao fim da tarde, abanar a cabeça e deixar a bruma sair, pôr as logísticas e afazeres em standby um pedaço, num canto do cérebro que só se liga no dia seguinte, cheirar o (nosso) mar ao pôr-do-sol, ouvir-te e ouvir-me enquanto nos contamos coisas, partilhar segredos e preocupações, comer tremoços, um gelado, ou aquilo que nos apetecer, falar do dia seguinte, ou não falar, estar só, sem mais nada. Sabe-me bem sim, e fortifica-me isto. Mesmo quando me zango, tu te zangas, somos hiper, mega ocupados, insuportáveis e outras-coisas-que-tais-que-às-vezes-também-somos-pois-então...
É que continua a ser tão simples... e tão bom. 



LUV U!



sábado, 24 de junho de 2017







BOLHA

(Arejada de conforto emocional...)

E quando o dia foi hiper cansativo e sentimos que isso, mais o calor insuportável nos suga as energias? E quando a perspectiva dos dias que se avizinham não é diferente, em calor e em cansaço? E quando o corpo anda estranho, numa sensação conhecida de dormência quente causada por este calor tórrido que me faz apetecer vegetar, de boca aberta, debaixo do ar condicionado? E quando o desejo de que estes dias passem rápido e dêm aos acontecimentos que os vão preencher apenas e só a lembrança de qualquer coisa que já passou e da qual nos lembramos só porque se foi sem deixar marcas?
É que é mesmo isso que quero e anseio agora mais que tudo: que estes dias próximos, cheios de coisas que me vão tirar da bolha arejada de conforto  emocional em que vivo, passem rápido e não façam história na minha história.
Para isso, vou inspirar-me em quem é mestre da serenidade e aprender com ela tudo o que constela à volta desse dom, tudo o que o completa e faz fortalecer. É que, as mães (ela é a minha mãe) ensinam-nos tanto que não vem nos livros e nós, bebemos tanto da vida sem ser só no leite. Quem sabe se assim, inspirada nela e acompanhando isso com um sorriso, possa mesmo fazer os dias passarem como um ai, rápido e incólume. 
Quem sabe...



terça-feira, 20 de junho de 2017

 LEITE DERRAMADO

Já estou submersa, naquela fase do meu trabalho em que só vejo papéis à minha volta e em que sinto que tenho que ter uma grande capacidade de organização para ter tudo feito a tempo, horas e, sobretudo, com algum sentido, tentando pôr no horizonte, os miúdos com que trabalho e tentando que o tanto que se escreve por estes dias tenha norte, objetivo e, sobretudo, intencionalidade. E isto, equilibrando com uma filharada, leia-se 3, já em modo semi-férias. Já tenho falado disto por aqui, não é novidade e não vale a pena discorrer sobre este assunto, achando que-o-que-deveria-ser-não-é-ou-o-que-pena-de-isto-ser-assim-não-devia-blá-blá-blá.
Não há volta a dar a isto e o meu sentido prático faz-me não chorar sobre este leite que já se derramou há muito, mas sim, fazer o que tem de ser feito e fazê-lo bem, de preferência com um sorrisinho pelo meio. Essa, será sempre a minha (nossa) única salvaguarda e o respeito que os meninos e meninas com quem trabalho merecem, a isso me obriga.
Mas pronto, em abono da verdade, aquela verdadinha, verdadinha mesmo, que é uma real seca, é, de facto.
Isto há coisas!!!

sexta-feira, 9 de junho de 2017




100.731

(a sério?)


Este blog começou, por graça, em 2012, a um ritmo doméstico e pessoal e com ferramentas blogosféricas (quase) rudimentares. Foi um mero substituto dos caderninhos pretos sem linhas que sempre povoaram as minhas malas e gavetas e sempre me fizeram ocupar tempos mortos, de espera. E o blog foi andando, andando, a esse ritmo tão meu, tão despreocupado e tão despretensioso, retratando simplesmente o que escrevo, que é das coisas que mais gosto de fazer e sendo fiel testemunha do que digo acerca dos que mais amo, daquilo que me apraz referir, do que me irrita, enfim, daquilo que me apetece. É um blog despretensioso e muito suis generis.

Sempre achei que seria inimaginável atingir as 100.000 visualizações. Isso quereria dizer que 100.000 vezes, já alguém teria clicado num post, teria espreitado por aqui. Pois...  E se esse número continua a ser ridiculamente pequeno quando comparado com visualizações de outros blogs que sigo (ponha-me eu no meu devido lugar!), ou com outros blogs que povoam a blogosfera, já que nesta via, tudo é exponencialmente maior, mais difundido, mais rápido, mais acelerado, para mim, no entanto, este número 100.000 tem um efeito psicológico avassalador, fazendo-me lembrar a ideia que tinha, quando era miúda, de que teria 28 anos no ano 2000, como se essa data fosse inatingível e tivesse, na minha ideia de menina pequena, quase contornos de ficção científica. 
Pois é, pois é... O ano 2000 já lá vai e de ficção científica só teve a minha ideia de menina pequena e quanto aqui ao Doceeagridoce, que continue despretensioso, despreocupado, informal, verdadeiro, fiel, temperamental, sentido, paciente, impaciente, rudimentar e humilde.
Já me daria por satisfeita.




P.S. E  um obrigada sentido e humilde a todos e todas que me dão feedbacks maravilhosos acerca do que escrevo. Outra surpresa inimaginável...

terça-feira, 6 de junho de 2017




LADAÍNHA

«No fim de tudo, a Felicidade com maiúscula compõe-se de minúsculos actos felizes; de agradáveis sensações passageiras; de um razoável estado de saúde; de expectativas positivas diante de um futuro sempre aziago, ainda que não totalmente tenebroso; de alguém que goste de ti; de um amigo que está disposto a ajudar-te; de pequenos prazeres inerentes aos cinco sentidos corporais.»

- Manuel Vicent, no El País


Que grande, grande verdade! Achei delicioso, isto e por isso, o colei aqui. 
Que esta verdade me vá fazendo eco, aquele eco da minha infância, onde nos túneis dos prédios, nos becos, nas grutas da praia, gritava e depois, rindo muito, ficava deslumbrada a ouvir a ressonância daquele som falado que repetia, repetia, repetia até deixar de se ouvir.
Vou repetir, repetir, repetir isto, tipo ladaínha teimosa.
Afinal, as ladaínhas, podem ser terapêuticas, quem sabe?


sexta-feira, 2 de junho de 2017





IRMÃOS

(pode ser o melhor que a vida nos dá...)


Fui convidada para participar, no sábado, numa iniciativa da Câmara Municipal de Faro, relacionada com a temática dos irmãos
Sim, parece que agora há um dia dos irmãos e tudo e, a esse propósito, irei participar nesta conversa a várias vozes sobre este assunto. É giro e sinto-me gratificada pelo voto de confiança. Espero estar à altura.
Falar dos meus irmãos é falar sobre mim: sobre a minha infância, as minhas memórias partilhadas, aquelas memórias de sítios e cheiros e espaços e acontecimentos que tive a sorte de partilhar e que nos definem como pessoas. Falar dos meus irmãos é falar sobre a partilha dos afetos relativa ao amor grandioso dos meus Pais por nós os três e perceber, agora adulta e mãe de três, que isso é mesmo assim:um amor grandioso que estica e toma peso igual para os vários filhos. Falar dos meus irmãos é falar de cumplicidade, aquela que me permite partilhar com eles, não só uma genética, mas também uma história de vida e de afetos por outros e outras que nos são comuns. Falar dos meus irmãos é falar de uma aceitação de percursos diferentes e de maneiras diferentes de estar e de pensar sobre as coisas, mas achar e sentir que isso é espetacular na mesma, porque não divide ou separa, só torna cada um de nós, distinto do outro e isso, o que tem? Falar dos meus irmãos é falar de dores comuns, alegrias comuns, partilha de bom e de mau. Falar dos meus irmãos é falar de um palco onde cabíamos os três e onde tomávamos parte de uma vida real que nos definiu. Falar dos meus irmãos é isto tudo. É dizer que não podia viver sem eles na minha vida, mesmo que o Nuno já esteja noutra dimensão, que não é física e mesmo que eu não esteja com o João todos os dias. É dizer-lhes que os amo muito e que gosto que estejam comigo, que falo neles, que tenho orgulho, apesar das nossas diferenças e que acho que isso, quem sabe, passa para os meus filhos, levando-os a achar e sentir que ter irmãos pode ser (e é) a melhor coisa do mundo. Mesmo que, às vezes, sejamos todos insuportáveis, uns com os outros. Afinal, a vida real é isso!



P.S. João, estavas a fazer uma birra... ah, pois é!


sexta-feira, 26 de maio de 2017






TÃO POUCO

(que nos dá tanto...)


É preciso tão pouco para ser feliz.  A sério, não é preciso complicar isto... 
Priorizar, filtrar e seguir em frente, não perdendo energias e voltando aos ninhos que temos. Aí sim, retempera-se forças e ganha-se foco. Para tudo, acho eu...!







segunda-feira, 22 de maio de 2017






SÁBIA NATUREZA





Dizia-te que, por estes dias, tenho que te dividir com tudo aquilo que há para fazer e tudo aquilo que acontece que te afasta de mim. Pressas, correrias, problemas, episódios de vida real que nos chamam à terra, factos e ocorrências que nos tornam pessoas de carne e osso e não príncipes e princesas de historias de encantar.( E ainda bem, isto. Sempre achei as princesas das histórias um bocadinho desenxabidas demais, sempre loiras e frescas e lindas e perfeitas e os príncipes, já agora também.). 
Que há dias em que essa distância me sabe bem e desafoga, porque há vida para além de mim e de ti (e ainda bem) e que há outros dias, em que me aflige, porque tenho saudades tuas e porque sei que me complementas, porque te sinto a falta e porque tenho saudades de nós, das nossas coisas e daquele espaço e tempo só nossos, com regras que criamos e momentos que impomos, com uma felicidade que queremos e um projeto que abraçamos. 
Que tenho que assistir ao nosso partir ao meio, vergados por tanta logística de vida real e ver se, no fim de tudo, continuamos inteiros e incólumes. 
E depois vejo que, num golpe de sábia natureza, tudo se compõe. Sem nada de especial, sem nenhum feito histórico, ou episódio marcante. Só porque sim, num ritmo sábio e contínuo, tudo torna a ocupar o seu lugar e aparecemos aos olhos um do outro como uma escolha de entre mil.
Sabe-me bem que sejas uma escolha de entre mil. Não porque tenham havido mil, mas porque a minha escolha te tornou único. 

LUV U!

quinta-feira, 18 de maio de 2017





ATROPELOS

Há 15 dias que não escrevo aqui no blogue. Acho que é a primeira vez que passo tanto tempo sem escrever, mas de facto, tenho sido centrifugada com coisas para fazer e as réstias de energia desaparecem velozes, atrás da pressa das coisas. As sinapses cerebrais vão-me fazendo click para este, ou aquele assunto, mas tenho-me sentido esvaída de ânimo para vir aqui. Há fases assim, assim como há outras em que, de repente, tudo aparece em turbilhão e os assuntos vêm em catadupa, uns atrás dos outros. E se não têm faltado assuntos por estes dias!
Mas pronto, apesar da fase de sombras em que tenho vivido por estes dias e apesar de me sentir atropelada por um camião, às vezes, hoje o dia será teu e vestirei o fato que mais gosto: o de mãe. 
Este, vai servir-me sempre e essa sensação é impagável!






terça-feira, 2 de maio de 2017





TONELADAS DE PESO


Penso nos meus filhos, penso nos meus sobrinhos e penso nos meus alunos que, sendo (mais) especiais como todos, estão também na escola e é esta a escola e o modelo de escola que conhecem e frequentam.
Penso no que me dizem os alunos e no que tenho para lhes oferecer. Penso nas expetativas dos pais e das mães de todos eles. Penso na forma de estar de tantos professores e do tanto que têm que fazer. Penso no modelo de ensinar. Penso na perceção que acho que todos já temos de que JÁ É MESMO ERRADO ensinar assim. Penso no como poderemos mudar isto, se há uma tonelada de coisas por cima de nós. Penso no quanto gosto de estar na escola. Penso no tanto que há a fazer na escola.
Sim, o artigo de opinião do jornal online O OBSERVADOR, de 27 de abril, intitulado É FAVOR DESOBEDECER, da Cristina Fonseca está muito, muito bom e faz pensar. De facto, o pensamento criativo, a resolução de problemas, a criatividade e a coordenação/gestão de equipas, serão competências importantes a ter em conta breve, breve e deveriam ser ensinadas na escola. Não o são. Não o são, mesmo.
E penso nele, que hoje me disse: - Professora, quando tiver 18 anos, vou sair de casa. Já não suporto os problemas da minha família... e penso em todas as limitações, problemas, comprometimentos, lacunas, défices que tem, irreversíveis e com peso de tonelada, aliados a outros problemas de fragilidades familiares, culturais, sócio-tudo e penso naquilo que nós todos, escola e mundo, lhe podemos oferecer e o coração aperta-se-me como uma ervilha enrugada.
Meu querido, desejo-te o  melhor, quero ajudar-te o melhor que puder e souber, sem alucinações e utopias, só com o possível. Acho que me resta o dia-a-dia, o aqui e agora, a criatividade para te alcançar, o tornar-me, aos bocadinhos, (quem sabe), talvez uma referência. Nem que seja para o desabafo sentido que expressas assim.

É isso, acho...





P.s. E, embora um clássico, vale a pena, com uns toques de humor, ver isto. É que, ser criativo precisa-se mesmo, na escola e em todo o lado!

segunda-feira, 1 de maio de 2017






COISAS DE TERNURA






Ontem (já passa da meia noite), terias feito 75 anos. Passaste no meu pensamento várias vezes, pois não preciso de nada de especial para me lembrar de ti. Assim são também as memórias boas que não queremos esquecer e nos fazem sorrir em silêncio. Coisas de ternura, eu sei.
Nunca deixarás de me fazer falta e as saudades que tenho tuas, nunca me deixarão. São agora suaves como uma brisa de verão, mas estão cá sempre, não me deixam, envolvem-me e fazem parte de mim. E adoro esta foto. Eu, espantada e careca, com olhos grandes de curiosa, com o mundo à minha frente por desbravar e tu, sorridente, sereno e forte, como eras. E assim continuaste, o meu farol e fortaleza até sempre. E mesmo hoje, muitos anos depois desta foto ter sido tirada, era isto que me apetecia outra vez: um colo forte e seguro como só o teu. Um colo de pai.

Love U daddy! 

segunda-feira, 24 de abril de 2017






SÍNTESE




Pois é! Não há nada como a maternidade, nada me absorverá mais, nada será mais prioritário, nada preencherá mais o meu coração, nada me dará mais gozo e matéria para escrever. Por isso, escrevo tanto sobre vocês e sobre o que significa para mim ter-vos na minha vida. E com isto vivo e desta massa se faz o bolo de vida que tenho, com todos os outros ingredientes de que não prescindo e que a tornam completa e (julgo) feliz. Como um bolo infinitamente doce, no final.
Por ter hoje o coração ocupado com assuntos vossos e ainda não ter conseguido "desocupá-lo", me lembrei do post velhinho, velhinho, Motherhood, esse mundo imenso em que entramos e de onde nunca mais saímos quando somos mães. Essa sensação vitalícia de estarmos sempre presas a alguém que de nós depende e a sensação de termos que levar felicidade e bem-estar, em packs completos de outras coisas que vêm na embalagem também e que fazem parte da vida das mães e dos filhos e dos pais e de todos.
Por isso me lembrei também da galinha gorda com asa grande onde se poderiam esconder à espera que o mundo parasse lá fora, deixasse de ser implacável e não vos importunasse, que bom seria isso assim.
Eu continuo com uma asa grande de galinha gorda. E acho que sempre assim continuarei. Esse será sempre o meu primeiro instinto, o de vos proteger, amparando-vos o golpe, protegendo ora um, ora outro, ora todos. Mas pronto, depois talvez tenha também em mim um interruptor qualquer mental, intuitivo, orgânico, não-sei-o-que-lhe-hei-de-chamar-porque-não-há-palavra-certa-para-ele que me devolve a razão e me faz não perder a lucidez. E me dá outros pontos de análise, outra lente para ver o mesmo. E assim, mais lúcida e de coração (às vezes) menos apertado, lá sigo em frente, respiro fundo e preparo-me para processar tudo, filtrando o que não interessa e centrando-me no essencial. É um exercício isto, pois é, mas o que vale é que sempre tive poder de síntese...
Que assim continue...

terça-feira, 18 de abril de 2017






ARMÁRIO ENORME...

Às vezes dou por mim a pensar que, comparativamente com outras mães que conheço, sou mais impaciente, menos tolerante, mais implacável com certas coisas. Por nano segundos, quase que me culpo... Que tenho menos paciência que muitas, sei que é verdade. Não tolero uma resposta torta, uma insolência disfarçada de chico-espertice, uma preguicite mais-que- aguda. Não tenho, sobretudo, paciência para parvoíces disparatadas da aborrescência que, se exageradas, devem ser (firmemente) corrigidas, acho eu, sob pena de me anular de dizer-te/vos aquilo que penso e sob pena de não te ensinar a valorizar aquilo que acho que é mais importante para ti. Não posso deixar que certas coisas te passem ao lado, percebes? Nunca deixarei, portanto, de te dizer o que penso, mesmo que, pela fase de armário enorme em que vais estando por estes dias, tudo o que a mãe te diz seja o mais horrível e desadequado que se possa imaginar. Não faz mal, a vida é mesmo assim e assim sempre será e já não tenho idade (nem nunca tive jeito) para imaginar pseudo-traumas. E de facto, aquela mãe de revista, sempre serena, perfumada, linda e (aparentemente) disponível eu não sou. Sou muitas vezes, como disse acima: impaciente, firme e (quase) implacável com aquilo que julgo importante e visceral para que cresças saudável. É que isto do CRESCER, tem mais que se lhe diga e não é só físico. É também, e muito mais importante, emocional e psicológico.
Por isso, continuarei, ao meu jeito, a passar-me contigo, a esfrangalhar os nervos, a gritar, a disparatar com ondas de génio bom que logo passa, mas que marca posição, a ser uma mãe da vida real, com vida, trabalho, filhos, stress e outras coisas para gerir, com vida também própria, com desassossegos e afetos e zangas e mimos, mas também com verdade, com um amor imenso por ti e pelas tuas irmãs, com um horizonte bem definido em termos de qual deve ser o meu/nosso papel, com firmeza misturada com doçura, com coerência e doses de vida real, daquela que nos dá chão e espaço próprios.
É que, sabes? Essas, as das revistas, se calhar são um bocadinho virtuais... a vida real é bem diferente e, acho eu, pode ser muito melhor, quanto mais não seja, porque é maravilhosamente (só) nossa.

LUV U!







terça-feira, 4 de abril de 2017






PITADA DE CANELA















E cá está ele, com manas ou sem elas, a pitada de canela que completa o meu doce, ou agridoce. 
Palavras certas, quando lhe chamaram isso! E como eu adoro canela...
LUV U!


P.S. Adorarei sempre escrever sobre irmãos!

segunda-feira, 3 de abril de 2017





SISTERS





Adorooooo a foto! 
Gostarei sempre da sensação que provoca em mim, esta imagem de vocês as duas juntas, da cumplicidade que sei que têm, apesar de não estarem agora juntas todos os dias. Gosto de saber que a mais nova recorre à mais velha para perguntar, partilhar, pedir opinião, embora pareça sempre muito senhora do seu nariz e não passe essa imagem. Gosto de pensar que, apesar de ter a sua vidinha, lhe sente a falta. Gosto de perceber a sensação de alguma referência que a mais velha sabe que é para a outra e então, das opiniões que dá, cheia de propriedade, mas com ar doce e sereno. Gosto de perceber que é mesmo por isso que a sua opinião faz falta. Porque cheira a segurança e equilíbrio. Gosto disso, apesar das diferenças abissais que as distinguem. Distinguir não é separar e isso será sempre muito certo. Gosto de vos imaginar sempre assim: agradavelmente diferentes, mas próximas e gratas uma à outra por se terem.
Afinal, acho que é isso que a vida dá aos irmãos quase sempre: uma sensação indiscutível de gratidão por estarem na vida uns dos outros.





P.S. Torno a dizer: temos mesmo que amarrar o Pedro e obrigá-lo, sob coação, a não fazer aquelas caras parvas para as fotos. Talvez assim tenhamos fotos atuais com ele... Miúdo levado da breca!


terça-feira, 28 de março de 2017





COM-PLE-TA-MEN-TE 


Hoje dizia a alguém que às vezes me esqueço que já não tenho 20 anos... Ah, pois é, não tenho já, já tenho mais do dobro que isso, céus! E se isso não me afeta diariamente, vai moendo em algumas coisinhas sim, que não sou diferente dos outros.
E de feitizinho refinado e aguçado em períodos de pontade stress acrescido e emoções (e cansaço!) à flor da pele, ainda bem que estás lá tu sempre e te sinto na minha vida e na minha casa, no meu espaço e na minha intimidade, mesmo quando estou intratável, que sim, não sou diferente dos outros e a casa será sempre o palco onde somos o melhor e pior de nós mesmos.
Ainda bem que, mesmo no pior de mim mesma, ainda me puxas para ti e me fazes sentir que sou única. Acho que gostar é isso. Ter essa capacidade e provocar no outro esse efeito que nos puxa para o equilíbrio e nos faz avançar e/ou retroceder em exercícios de auto-regulação que nos ajudam a não ficarmos COM-PLE-TA-MEN-TE insuportáveis!
Não vou ficar COM-PLE-TA-MEN-TE insuportável, prometo... acho que os meus mecanismos de auto-regulação ainda vão funcionando, sinto-os, à distância sim, assoberbados de coisas por cima deles, mas sinto que funcionam, mas obrigada na mesma, no fundo, por estares sempre aí, assim como és e por gostares de mim, mesmo quando estou intratável...
Acho que hoje, era isto!
LUV U!





sexta-feira, 24 de março de 2017






PAULINHA!!






Há muito tempo que trabalho com jovens. Não é fácil e por isso me queixo deles sem fim, que não cumprem, que não aderem, que temos que os arrastar à força para as coisas, que, que, que... Mas não consigo impôr-lhes essas coisas. Há mesmo coisas que não se impõem e pronto, sob pena de terem EXATAMENTE o efeito contrário. São coisas ditas, transmitidas e vividas, são testemunhadas, contadas e transparecidas, mas não se podem impor, como se a adesão completa e efetiva a essas verdades, já não fosse da nossa competência, mas sim da VIDA e dos seus caminhos que os hão-de moldar e fazer virar, para a esquerda, ou para a direita, restando-nos a nós acreditar (e esperar) que alguma coisa fique, lá nas profundezas e que os possa fazer marcar pela diferença, que os possa levar a ter um "quêzinho" de qualquer coisa especial, original, diferente, boa.

Farto-me de lhes dizer para não terem medo dessa diferença. Para não terem medo de se sentirem "especiais", acreditando e assumindo coisas importantes para si próprios. Farto-me de lhes dizer que o assumirem isso, os fará serem verdadeiramente originais e autênticos. Pelo menos, tenho esta experiência e pelo menos, gostava, a sério, que se identificassem com isso.

Às vezes, pergunto-me como é possível manter uma boa relação com eles e senti-los identificados comigo, sentindo-me próxima, cúmplice e entendedora dos seus mundos e das suas linguagens e formas de comunicar e ao mesmo tempo, manter os níveis de exigência, rigor, algum brio e outras coisas que tais que fazem parte da vida e que são tão importantes.
E então descubro, na maior parte das vezes, que este rigor, esta exigência e esta procura do brio e da cordialidade, lhes dá segurança e os faz aderir a um discurso que não passa de moda, que não é antiquado e com o qual se identificam. Será porque se assume este discurso como um discurso natural? Espontâneo? Estruturante? Será porque as coisas lhes são ditas, devolvendo-lhes a maior das liberdades de escolha? Não impondo? Só convidando, motivando e deixando depois para cada um a escolha que se quiser? Uma escolha livre e assumida?
Não sei... o que sei é que, apesar de me porem, às vezes, os cabelos em pé por não responderem às mensagens, por parecerem anestesiados em gadget's e outras coisas que tais, por não ouvirem, por parecerem sempre indiferentes ao que se lhes diz, por, por, por... adoro trabalhar com eles e agradeço-lhes o tanto que me ensinam e também o tanto que me fazem sentir próxima!

Ah! e muitos chamam-me Paulinha num tom sempre ternurento... será bom sinal, não?


terça-feira, 21 de março de 2017






CORAÇÃO-COISADO


Seremos eternamente diferentes na maneira que temos de lidar com alguns assuntos, mas percebo essas diferenças e leio-te com a fluência que o passar dos anos juntos me/nos dá. Não precisas de me dizer nada para que eu te leia. Faço-o porque te conheço como ninguém, por isso te adivinho opiniões e maneiras de estar e por isso te decifro olhares e expressões. Antecipo-os, percebes? E dou-lhes rumo, ou contexto, se quiseres. E esta minha capacidade de análise (inteligência emocional?) faz-me admirar-te nessa diferença que nos distingue, porque a sinto como complementar e não como fraturante. É como se essa diferença em tantas coisas, fosse um complemento de que o outro precisa para prosseguir, com outro olhar, com outra lente que o ajuda a ficar mais equilibrado, porque a ver melhor e porque o equilíbrio é feito de muitas verdades que se conjugam num trapézio (quase) perfeito.
Sim, eu preciso do teu equilíbrio da razão, do teu pragmatismo matemático e do teu sangue frio, como tu precisarás da minha emoção, do meu génio fácil que dá cor e tom variado (muito) às coisas e do meu temperamento muito expressivo.
Coisaste o meu coração, sim... há muitos anos. E ele, esse coração, faz-me dizer-te que ainda bem que somos diferentes, tão diferentes, mas tão maravilhosa e equilibradamente  complementares.
E aqui para nós, tens que reconhecer: tanta matemática sem um piquinho de emoção e expressão, que desgraça seria?
LUV U!!





quinta-feira, 16 de março de 2017





CHUPAR LIMÃO

(terrivelmente difícil, mas possível...)


Adorei, adorei, adorei este post. Por isso o partilhei no meu mural do Facebook e ando a conversar com ele desde ontem.
É maravilhoso. 
Falar sempre bem do pai (ou da mãe) aos filhos, quando os Pais são separados. Engolir a mágoa e a revolta e centrar a lente na ternura e na intimidade que sentiram naquele momento mágico em que aqueles dois corpos (e seres) se uniram, oferecendo ao OUTRO o mundo todo, que parava lá fora, enquanto se amavam.
Sim, claro que há momentos de união física que não são mágicos e há crianças que são concebidas com tudo menos amor, é verdade, mas também é certo que a maioria das crianças resulta de uniões de amor, de uniões que, enquanto duraram, foram eternas e verdadeiras. Para essas crianças, houve um dia, um pai e uma mãe que se amaram. E enquanto se amaram, o seu amor foi genuíno, forte e cheio de promessas. Mesmo que essas promessas tenham depois, durado pouco e sido levadas pela vida.
Esse dia, esse encontro, essa união que aconteceu numa data, legitima o respeito que se deve ter pelo pai, ou pela mãe dos filhos, mesmo que a vida tenha agora afastado esses Pais e, por isso, embora agir assim seja tão difícil como chupar limão, é possível e terá efeitos altamente positivos na cabeça dos meninos e meninas, filhos e filhas, desses Pais.
As crianças arrumam bem os Pais na cabecinha, é verdade, sem ser preciso estarem ainda a ouvir mais azedume, mais mágoa. Sabem exatamente o que pensar do pai e da mãe. A cabecinha deles está mais resolvida, muitas vezes, do que aquilo que se pensa, porque são recetores de mensagens que não vêm só pela voz: vêm pela expressão, pelo toque, pelo segredar, pelos póros, pela intuição que vão construindo. São figuras participantes numa história onde estão, com o pai e com a mãe, mesmo que em separado. 
E a maior verdade é que os meninos e as meninas, ao invés de só pares de confissão e de conversa, com quem desabafamos e carpimos mágoas, serão sobretudo, filhos e filhas daquele pai e daquela mãe e isso dá-lhes uma capacidade de amar muito maior do que julgamos.

P.S. E sim, eu sou daquelas pessoas que acha que o mundo  lá fora pára quando duas pessoas se amam e se entregam, mas quanto a isto, já não há nada a fazer...


sexta-feira, 10 de março de 2017






É OFICIAL





Lembro-me do dia em que tirei esta foto. Um domingo perdido, numa esplanada por montar, simples, numa (na nossa) praia de eleição. Sem muita gente à volta, sem grandes confusões. Estavas comigo, acompanhando a calmaria da manhã, transformando um NADA DE ESPECIAL, num TUDO tão grande. É sempre assim contigo. Mesmo quando não me apercebo... estás lá, comigo e gosto da tua companhia, do teu complemento, do efeito que tens em mim, como uma peça de puzzle que se encaixa na outra de forma simples e eficaz. Sem alarido.
Cada vez é mais difícil arrastarem-me para certos sítios, para fazer certas coisas. Cada vez reajo pior ao barulho, à confusão. Cada vez gosto mais da calma de um bom livro, filme, ou série. Sei que tanto da minha vida ainda é confusão, pressa, barulho, agitação. Reconheço que consigo funcionar com essa pressão, é verdade, funciono de forma rápida e (às vezes) eficiente, mas por isso também preciso cada vez mais e com mais frequência destes espaços e destes silêncios, comigo, com livros ou filmes, ou com nada, só porque sim. E adoro quando estás nesses momentos comigo, partilhando um silêncio que preenche o que não precisa de se dizer e, por isso, é cúmplice.

É oficial: acho que me estou a transformar num bicho-do-mato. O que vale é que continuas por aí... comigo, nesta cumplicidade que não troco de tão boa que é, como se o mundo, às vezes, ficasse ali ao nosso lado, em stand by...!
LUV U!





segunda-feira, 6 de março de 2017





DOMINGANDO...


Dormi, dormi, dormi de manhã. Fiz o almoço de pijama. Almoçámos com calma e a sensação de não ter de ir a lado nenhum invadiu-me com agrado. Sentei-me no sofá depois do almoço e comecei a ver um filme. Adormeci logo a seguir numa ronha deliciosa que anestesiava. Enrosquei-me naquele edredon velho que anda por ali pela sala para esse efeito. Acho que dormi mais um bocado. Perguntei a mim própria de onde vinha tanto sono e deixei-me levar pelas horas de um domingo solarengo. Ao fim da tarde saímos. Passeámos de mão dada e sentámo-nos numa esplanada na baixa. O sol estava a pôr-se. Não tínhamos horas, nem combinações e que bem isso soube. Conversámos com calma, de assuntos perdidos, deixados a meio. Bebemos uma cerveja preta e olhámos para a Ria que se espelhava por ali por todo o lado, linda. Ficámos calados por pedaços. Os dois, só assim. 
De onde me vinha este cansaço, esta anestesia? Depois lembrei-me do sábado que tive... e da sexta... 
Pois... 
Foi um domingar perfeito hoje... anestesiada, mas contigo. E não é que adorei?




sexta-feira, 3 de março de 2017






MILAGRES


Passa-me por aqui uma sinapse cerebral que me diz que já escrevi sobre isto, ou já fiz alusão a isto noutro post. Não faz mal. Este blog não pretende ter freio editorial, mesmo...
Este post, deste blog fez-me lembrar deste episódio... 
"- A intuição de uma mãe é um dado clínico", disse-me. -"Nunca tenha vergonha dela". Era pediatra, credenciado, experiente, credível, uma sumidade, portanto, mas não impregnado de superioridade balofa e sim, pronto a ouvir. Eu, era mãe de primeira viagem e ainda ficava insegura acerca do que era certo fazer-se, apesar de ter um instinto forte que sempre me segurou nas dúvidas e que me levava, quase instantaneamente, a querer confiar em mim. E apesar disso, justificava-me, desculpava-me, gaguejava, timidamente. 
Nunca mais me esqueci deste episódio e nunca mais desvalorizei o meu instinto. Passei a aplicá-lo quase sempre e a servir-me dele para adivinhar o que não se vê, ouve, apalpa... só se intui.
E isto, na vida de uma mãe, de filhos (de qualquer idade), é mesmo um dado clínico. Como a febre que se testa, como a dor que se apalpa, o cheiro que se cheira. E isto, segurando-nos assim por baixo, dando-nos uma rede de proteção, faz-nos seguir o caminho de mães, firmes e livres das nossas opções, sem fundamentalismos, ou modas estúpidas que nos podem descaracterizar.
Dúvidas? Muitas, sempre! Céus, tantas...  Intuição de mãe? Sempre... e esta, aliada a alguma descontração e capacidade de relativizar, faz milagres, acho eu!

P.s. E ajuda-nos também na escolha das sumidades, sejam elas quais forem...






quinta-feira, 2 de março de 2017






GENE LOIRO






Dizem que és o mais parecido comigo. Sei que sim. Comigo e com um gene loiro que tenho cá no meu ADN e que passou para ti. Um gene meu, de origem paterna, clarinho, de olhos verdes e cabelo dourado. De pele clara que fica em vermelho tomate no Verão. De osso grande e cara larga. De dentes separados e sorriso cheio. De nariz pequeno e arrebitado. De sardas que aparecem com o sol. De feitio pronto e despachado. De simpatia colada a um sorriso. De mau feitio às vezes, mas que passa logo.
De lambuzice assim beijada sem pedir.
Por isso, gostei desta foto. Desta lambuzice rápida que daqui a nada foge de mim, como num piscar de olhos, à velocidade da luz. Por isso a eternizo aqui, meu mais-que-tudo-irrequieto-e-chato-e-fazedor-de-cabelos-brancos- e-MARAVILHOSO.

LUV U, mas isso já tu sabes, eu sei...


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017





IMPACIÊNCIA (quase) CRÓNICA

Eu estava sentada no carro, prestes a sair para ir beber um café, numa daquelas meias horas paradas entre uma coisa e outra. Passou com o filho pela mão. O miúdo teria 4, 5 anos, por aí e ele era novo, engravatado, estilo yuppie. Vestiu-lhe o casaco, falou-lhe suavemente e reparei que tinha qualquer coisa na mão. Parou com o miúdo mesmo em frente ao meu carro e não pude deixar de observar. Estava muito frio nessa manhã e o que tinha na mão era um frasquinho pequeno, de creme com o qual rodeou cuidadosamente a boca e queixo do miúdo. Reparei que o fez com cuidado. Passou-lhe a mão com muita calma, repetindo os movimentos, quase acariciando e no fim deu-lhe um beijinho e compôs-lhe a gola do casaco. Lá seguiram de mão dada para uma escola ali ao lado. Percebi logo que ia levar o miúdo (filho?) à escola àquela hora da manhã.
Ando impaciente, irascível quase... E depois, como sou mais prática do que estética (expressão minha que costumo utilizar para justificar a minha falta de paciência para pormenores lindos, mas completamente fúteis e inúteis), que é o mesmo que dizer impaciente para certos pormenores que só atrapalham e não nos facilitam a vida, deparo-me muitas vezes com a circunstância de achar que há tanta coisa que não faz sentido e na qual todos investimos, investimos, investimos sem fim...
E então é como se me visse ali ao lado, num filme, muitas vezes. É como se a película se desenrolasse ao meu lado e eu estivesse de fora, a ver todos os intervenientes e a achar que tantas vezes é um desperdício determo-nos em tanta coisa sem sentido. Não há paciência para certas coisas, não há mesmo e ultimamente tenho-me sentido assim. Com uma sensação de impaciência crónica, visceral, endémica...
De facto, o espírito prático acelera procedimentos e simplifica questões. Apressa decisões e agiliza aqueles-durante-que-nunca-mais-acabam. E faz-nos (faz-me) lidar tantas vezes com a impaciência, devolvendo-me uma humildade de que também preciso quando lido com outros diferentes de mim.
E então, a lembrança daquele pai a fazer aquele gesto àquele filho, fez-me lembrar um post velhinho, velhinho, de 2012 e quase senti ali o cheiro a Mustela, ou outro creme que tal. É que sim, eu sei que na verdade e apesar de tudo, não são só as mães que fazem isto e aquele gesto, visto do banco do meu carro, na pressa, minha e deles, da manhã, eterneceu-me. E desejei, a sério, desejei mesmo que a impaciência de que se tem povoado a minha existência nos últimos tempos, não me faça perder a capacidade de me continuar a encantar com gestos destes que tais. Todos, com cheiro a Mustela.








*Yuppies é uma expressão inglesa que significa "Young Urban Professional", ou seja, Jovem Profissional Urbano. É um termo usado para se referir a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta.
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DOSSIERS ... À medida que vou fechando dossiers , vou registando sinapses cerebrais que me alertam para o quase, quase, quase que est...