sábado, 27 de junho de 2015







DESCOMPLICAR







E há dias assim, que nunca mais acabam e que parece que nos vão arrancar o que de melhor temos, porque nos sugam a energia toda, toda, toda, como uma bateria que descarrega até já nem fazer sinal. 
Mas depois há sempre a parte boa, aquela sensação que está lá ao fundo, no finalzinho do dia e que sabe a ninho, lar, tem cheiro e som que é nosso e de quem mais escolhemos e essa é mesmo a melhor parte...
Para quê complicar?

sexta-feira, 26 de junho de 2015





GOSTOS...


Gostos não se discutem, é verdade e sempre será e também por isso, legitimo a minha opinião... É somente uma questão de gosto, isto... Mas ter sido atendida hoje, numa loja, por uma miúda girissima,  super simpática e novinha, mas com umas unhas pontiagudas, ENORMESSSSSSS, pintadas de rosa  Shock, umas pestanas de dois metros que se viam à distância que não eram dela e uma base tão carregada, tão carregada, que contrariava tudo o que uma base deve ser, atordoou-me um bocadinho..... 
Então, o menos já não é mais??
Eu ainda acho que sim....
 Fogo, sou mesmo foleira...


P.S. As unhas dos pés eram verde-alface, juro...

quinta-feira, 18 de junho de 2015




BOMBONS


Era giríssima, parecia uma boneca. Engraçada, moderna, novinha, um mimo. As roupas davam-lhe um ar casual, mas muito fashion, mesmo num estilo que gosto. 
Vi-a chegar, pois passou mesmo à minha frente e não pude evitar. O espaço não era grande e, para além disso, público.
As conversas ouviam-se, sem pudor e o meu esforço de abstração era inglório.
Jesus, quando abriu a boca, foi uma desgraça. A linguagem, o tom, o ar, do pior, do pior... nada tinha substrato e nada era interessante. Nada condizia com a embalagem, como se ao abrir um bombom, o recheio estivesse podre.

Lembrei-me de um post antigo deste blog em que relato algo de muito, muito parecido e depois lembrei-me de ti... tão diferente disto. Tão eloquente a falar, tão segura, tão interessante. Tens muitos defeitos, como eu também e todos nós e ainda bem, pois eles tornam-te uma pessoa normal, que é o que se quer, mas não me lembrei deles. Lembrei-me de tudo o que nos prende a ti quando falas, como se fosses magnética e como se o teu tom seguro e sereno transformasse o que dizes em verdade, pois então, verdade dita com voz doce, que de certeza herdaste da tua avó materna, igualzinha a ti, ou tu igualzinha a ela, que estas voltas da genética, baralham e dão, mas voltam sempre ao mesmo que se quer dizer.
Pois...
Senti-me orgulhosa por seres tão diferente. Senti-me sortuda por te imaginar um bombom verdadeiro, daqueles maravilhosos por dentro também. Senti-me contente por teres substrato e conteúdo. Senti-me abençoada por te ter, a ti e aos teus irmãos e olha, mesmo que isto sejam só os meus olhos de mãe a ver, não importa, pois é o que sinto e não te esqueças que isso, essa coisa do conteúdo e substrato, será sempre aquilo que fará a diferença, será sempre o teu maior tesouro.


Um beijo, princesa e boa sorte para amanhã!





domingo, 14 de junho de 2015





SAPOS E PRÍNCIPES





Adorei esta foto. É uma montagem básica, como aquelas muitas outras que faço às vezes para me entreter, mas gostei do resultado, dentro do básico que é... Não faz mal, é doméstica, free, informal, minha... Tenho duas rugas no meio da testa e tu, três ou quatro também. Tens muitos cabelos brancos já, nota-se na barba e eu, bem, eu nem de mim falo, é melhor... Mas gostei do olhar, meu e teu e do encontro que fazem na frase que escolhi. Esta, encontrada por acaso nas deambulações no Pinterest, cai aqui como uma cereja deliciosa em cima de um bolo quente e só eu sei como adoro cerejas e bolos quentes também!

Algumas amigas dizem que isto é só uma questão de sorte, estes encontros e estes caminhos na vida das pessoas e de duas pessoas que se escolhem e que se querem, às vezes penso nisso e no mais fundo de mim, acho que não é só. Mas pronto, ter-te e saber que olhas para mim como se eu fosse mágica, é qualquer coisa que me enche assim o peito e que no fim, sabe a conclusão poderosa. Mesmo que na tua e na minha vida haja momentos em que somos os dois, os sapos da história. Afinal, porque somos normais e ainda bem... 
Será só sorte?


P.S. Às vezes transformas-te em príncipe sim... e giro!

terça-feira, 9 de junho de 2015




PAPPY

Lembro-me das conversas que mantinha, do grau de cultura e conhecimento que mostrava, um pouco de todos os assuntos. Lembro-me dos valores que mostrava estarem sempre por trás daquilo que fazia. Lembro-me do que nos transmitia da sua vida de trabalho. Lembro-me do efeito que a sua integridade tinha e tem em mim. Lembro-me que isso me edificou como pessoa. Lembro-me da solidez que sentia entre ele e a minha mãe. Lembro-me dos assuntos sérios que abordava connosco quando achava que sim. Lembro-me da seriedade que também púnhamos quando o ouvíamos. Lembro-me do que contava do seu pai e mãe e irmãos e irmãs e África e mar e deserto e sol. Lembro-me do sentido que a palavra família tinha para ele. Lembro-me da sintonia que agora adulta sinto, por tanta coisa que me dizia e que, quando era miúda, talvez ainda não entendesse. Lembro-me do seu pragmatismo e sentido prático que sinto que também herdei. Lembro-me do bálsamo que era para mim o saber que ele estava sempre ali, forte e seguro como um farol. Lembro-me da sensação de colo que sentia, como já tenho dito aqui. Lembro-me da dignidade que mostrou até ao fim, mesmo quando estava a morrer. Lembro-me da tranquilidade que nos passou, de que tudo iria ficar bem. Lembro-me que era sempre isso que eu sentia quando ele falava. Lembro-me de uma e de outra e de outra vez que lhe falei, em lágrimas, disto ou daquilo e do efeito que as suas palavras tinham em mim.

E hoje, tudo isto veio assim ao de cima, como uma ferida que eclode do cascarrão quando se dobra a pele. Sim, porque há dias em que estamos mais frágeis e sim, porque a vida não é cor-de-rosa como se vê em tantos touch screens.
A minha é de todas as cores...
E é assim, pappy...  Como um teorema matemático, infalível e dos mais absolutos que há, sei que nos dias mais escuros, me vai apetecer sempre o teu colo. Mesmo que já não estejas aqui comigo e mesmo que eu tenha este tamanhão todo!
É que as saudades doem mesmo, a sério e não passam...





quinta-feira, 4 de junho de 2015





JÁ É HOJE...

Estive a ver os posts que fiz dos teus aniversários anterioresum e outro. Todos diferentes, mas todos cheios de alma boa, que é como fico quando falo de vocês. Não sou de ir atrás comparar posts. Escrevo porque sim, sem freio e quase sempre sem grandes correções, daí a probabilidade altíssima de me repetir, mas é assim, os impulsos dão nisto e tornam-se, às vezes viciosos e viciados. Não importa.
Amanhã fazes 15 anos. Digo amanhã, porque ainda estou no AGORA e a véspera, às vezes, traz esta antecipação de logísticas. A minha logística de amanhã não poderia ser pior, com compromissos inadiáveis, alheios a mim e à minha escolha, logo às 8 da manhã. Queria acordar com calma e ir para a tua cama, como faço em todos os vossos aniversários. Ter aquele minuto de sossego num sono que começa a acordar e poder, por momentos pequeninos, estar ali contigo só para mim e dizer-te, mentalmente, tudo o que te desejo e espero para ti. Não me ia zangar com o que fazes às vezes, porque esse minuto não era para zangas, era só para corações cheios de mãe e de filha em dia de aniversário. E pronto, não queria fazer isto com a espada da pressa apontada ao pescoço, mas sim com a calma da preguiça e do tempo que se estica sem fim. 
Vou ter, de manhã, a espada da pressa apontada ao pescoço, não vou conseguir fugir dela, mas aquele minuto vai ser meu na mesma e teu também e como JÁ É HOJE, acho que vou antecipá-lo para já, já... ainda estás acordada?

Parabéns, princesa!!


P.S. "Já é HOJE", de facto, mas como iniciei o post antes da meia-noite, não alterei nada...



segunda-feira, 1 de junho de 2015




BRACINHO DE TERNURA


Já só tenho uma criança cá em casa e mesmo essa, agora mais em modo pré-adolescente-parvo do que criança-criança, mas este universo infantil faz parte de mim como pessoa e como profissional e é nas crianças que penso quando vejo a escola estar como está, quando vejo tantos professores sem alento, quando vejo tantos pais e mães sem forças, quando vejo esta sociedade que se vai construindo sem pensar nelas como uma prioridade, quando vejo que são entupidas de coisas para fazer sem terem tempo para brincar, quando me apercebo que algumas têm tanto, mas não têm o essencial, enfim, é nelas que penso quando faço a pergunta: "onde é que tudo isto irá parar?"
Não tenho esta resposta.
O que sei é que há um universo imenso à sua frente, chamado futuro e que somos nós, os adultos, os responsáveis por lhe lançar os alicerces. Nunca poderei dizer-lhes com certeza absoluta como irá ser o horizonte mais além, mas poderei sempre prepará-los para o enfrentar.... devagarinho, coisa a coisa, dia a dia, crescimento a crescimento, etapa a etapa, afeto a afeto, conversa a conversa. Quem sabe assim, crescerão mais seguros e confiantes naquela linha de horizonte lá ao fundo, com uma sementinha lá dentro, uma coisinha qualquer que lhes fará bem, sei lá...
É que, não há dia da criança, sem adultos e esses, somos nós.

Hoje, ao ver numa publicação de uma amiga, esta foto maravilhosa de dois irmãos que conheço, ao ver aquele bracinho espontâneo dele a abraçá-la, fiquei maravilhada e lembrei-me que ele já foi personagem principal de um antigo post meu, deste blog  e que é, tal como todas as crianças maravilhoso e inspirador. Quando ele for mais velho e eu já muito velhinha, conto-lhe como às vezes me inspirava e acho que ficará contente.
Para já, deixo-lhe esta linha de horizonte imensa, esperançosa e linda, chamada futuro e mando-lhe, como a todas as crianças que me inspiram, um grande beijinho cheio de ternura.
É que ser criança,  (deve ser) é maravilhoso!


P.S. Dedico também este post a uma colega querida (que é uma inspiração para mim) com quem hoje falava sobre meninos e meninas e escolas e coisas que tais. Apetece-me dizer-lhe também:... " que nunca deixemos de nos encantar..."




CONSISTÊNCIA (afinal, é uma palavra gira...) Hoje dizia a uma amiga que não me coíbo, muitas vezes, de me mostrar em desacord...