segunda-feira, 29 de julho de 2013



 MAGIA DOS LUGARES


E pronto, já estou de férias!! Estava de rastos já, a precisar mesmo e agora, depois do fim-de-semana (sim, porque esses dois dias não contam!!) cá estou, ainda meia dormente, a iniciar, a começar a insuflar de ar os pulmões, a respirar fundo e a gozar daquela sensação de tempo livre, ócio mais ou menos profundo, leitura fora de horas, amigos, praia, passeios, dias sem nada de especial, mas tão cheios de tudo o que é especial, and so on, and so on... hum, que bom...
Já oiço as campainhas internas a fazerem-me lembrar de todas as coisas que ficaram pendentes até à chegada das férias (arrumações mais profundas, seleção de livros, brinquedos, roupas e afins, rastreios de saúde, enfim...), mas depois penso logo a seguir... calma, ainda agora isto começou, não há que apressar, mas que mania esta minha de pensar tanto em várias frentes e ao mesmo tempo!!! Caneco, será defeito, ou feitio?
Por ora, só quero gozar desta sensação de estar de férias, mesmo e deixar, com calma, todos esses pendentes irem encontrando o seu espaço e o seu tempo de existirem e de deixarem de ser pendentes. Vão deixar de o ser, tenho a certeza, já me conheço e quando começar vai tudo a eito, mas para já, quero só imaginar as minhas férias assim, desta forma que lhes costumo dar, com estas cores e caras e sítios, com este tom que é só meu e assim, terei a certeza que serão sempre as melhores do mundo, independentemente do sítio onde sejam, porque isso da magia dos lugares, somos nós que a fazemos, não acham?
Por mim, se a magia passar por aqui, será MA-RA-VI-LHO-SO!!!





P.S - Sei que o consenso cá em casa vai ser só relativo às fotos que retratam a cor da água, porque é mesmo aquela cor e não estamos nas Bahamas, mas sim aqui muito perto!! Quanto às outras, que me perdoem os visados se não correspondem à escolha que fariam, mas este blog é meu, certo? Beeeeiiiijo!!!!!!

sexta-feira, 26 de julho de 2013





ERA UMA VEZ


Já falei aqui neles, direta ou indiretamente. Os meus avós fizeram parte da minha vida e a minha avó paterna conheceu ainda a minha filha mais velha, a Beatriz. Guardo com ternura num dos móveis do escritório, uma foto dela com a Beatriz ao colo, bebé de cerca de um ano, careca e gorducha, segura por aquelas mãos enrugadas, mas fortes da sua bisavó Luciana. 
Imagino-os num mundo muito diferente deste nosso mundo agora, mas sobreviventes, fortes e com qualquer coisa de mágico que não me canso de contar aos meus filhos. E assim começo a história, às vezes, soprada com ares de conto de fadas, personagens, enredos, tramas e fins felizes, como se quer e então, conto assim: 

Era um vez uns avós paternos que foram para África muito novos, ele bebé, ao colo da mãe, num barco à vela, filho de pescadores experientes que tentavam a sorte além-mar; ela, orfã de mãe numa adolescência que, à época, não tinha ainda direito a existir e a reivindicar, foi com uma irmã mais velha para África, onde, pelos acasos da vida o conheceu e com quem ficou, apaixonadamente. Ela contava que ele era alto, loiro, bonito, parecido com um ator de cinema, daqueles que povoavam o seu imaginário de jovem mãe, atenta às novidades que lhe chegavam do cinema, tão lindo e tão distante. Contava também que esse jovem pescador, dono já do seu coração, lia apaixonadamente (adorava os livros do Eça), era culto e auto-didata, embora os bancos da escola tivessem desaparecido cedo da sua vida, mas que era um encanto ouvi-lo falar de quase tudo e tão bem. Ela, suave, doce e determinada, criava-lhe os filhos que iam nascendo (foram sete!) e mantinha apertado o laço de amor que todos tinham uns com os outros, vendo no pai e na mãe referências importantes e amadas nas suas vidas e assim foi, até ao fim. Este avô loiro, alto e bonito, eu não conheci, mas envolvi-o sempre nesta aura de magia e é assim que o quero para mim e é assim que o partilho com os meus filhos! Esta avó suave e doce está apertadinha no meu coração, lembro-me dela com memórias já adultas e por isso, consistentes e reais!
Era uma vez também uns avós maternos que tinham a ligá-los um calor de trópico quente onde se conheceram. Foram ambos para África muito novinhos. Ele, oriundo de uma família rural do alto Minho, muito pobre como quase todas, queria estudar, queria aprender, era ávido de conhecimento e por isso, andou no seminário, que, era dos únicos sítios onde isso se podia fazer, na altura, embora uma vocação diferente da que esse sítio ditaria o tenha feito de lá sair, embarcando numa aventura de além-mar onde conheceu uma jovem linda e algarvia, morena de traços suaves e voz doce, por quem, claro, depressa se encantou. Escreveu aos Pais, dizendo que se ia casar com uma algarvia e contava com graça o espanto que deles recebeu pelo casamento pretendido com uma "cachopa dessas ilhas distantes!!!". Era determinado e teimoso, bom orador e persistente, adorava caminhar a pé e falava do seu Minho com uma saudade que até hoje recordo. Dela me lembro também com uma nitidez que a pós-infância também traz e hoje revejo-a, em tantos sorrisos e expressões, através da minha mãe. Este avô minhoto e esta avó algarvia compõem também, juntamente com os outros dois, o meu mapa genético e costumo dizer, por graça, que estes pontos geográficos distantes, unidos numa África longínqua e com amores fortes assim, fazem com que eu tenha esta faceta assim sonhadora e com que possa contar aos meus filhos esta história de família, começada por um maravilhoso ERA UMA VEZ...
Este dia dos avós pode ter o peso e a forma que cada um quiser, pode ser lembrado e vivido mais enfaticamente hoje, ou sempre, pode refletir a importância que uns e outros têm na vida de cada um, ou até pode passar despercebido porque não se liga a isso, mas eu, pela parte que me toca, hoje lembrei-me deles e sinto-me feliz por terem sido assim tão maravilhosos e por achar que dariam umas personagens tão boas de um belo conto de fadas.

E quem não gosta de um conto de fadas?

   

segunda-feira, 22 de julho de 2013




Hora pequenina

Ela é muito gira. Tem uma cara maravilhosa, um sorriso natural, um cabelo bonito, uns dentes perfeitos e parece simpática também, que é um atributo que nem todas as giras têm e que, às que têm, lhes fica tão bem e lhes completa tão bem a beleza! Ele também é giro e parece muito simpático. Acho, sobretudo que tem um olhar meigo... adoro homens com olhar meigo... acho que lhes fica bem e que lhes dá logo outro encanto e concordarão comigo, de certeza...!
Ela está grávida, muito grávida e o mundo "acompanha-a" e por isso sabemos que entrou hoje em trabalho de parto.  (http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=26&did=115504)

Faço parte dos que a acompanham... não porque ande atrás dela, mas porque me entra em casa por todos os lados, e, mesmo sem querer, fico presa ao seu glamour e simpatia. É assim que, mesmo sem querer, uma aura cor-de-rosa, me faz simpatizar com ela, já que sou, como tantos, pouco imune ao seu glamour. Sabemos também que foi acompanhada para o hospital pelo seu mais-que-tudo e que tudo está a decorrer com a normalidade prevista...
Pois é, a duquesa de Cambridge, conhecida por Kate Middleton e as notícias que hoje dela chegam, fizeram-me pensar nas dezenas, centenas, milhares de mulheres que também estão grávidas, também estão a entrar em trabalho de parto, também vão ter o seu/sua bebé nos braços dentro de pouco tempo e que são absolutamente anónimas e difusas num mar de gente tão grande que compõe este mundo, tão anónimo, tão imenso, tão diversificado. Não poderíamos, de facto, conhecê-las a todas, mas podemos, sempre, lembrá-las quando a propósito.

Algumas terão a sorte de ter, como eu tive nos meus três partos, o seu príncipe ao lado, amparando, cuidando, fazendo companhia, rindo, observando, esperando aquela dádiva tão imensa que é um filho, gerindo um momento que também é deles, com outra forma, de outra maneira, mas vivido, sentido até ao âmago dos seus corações de pai; outras, terão alguém próximo, uma mãe, avó, amiga do peito, ou outro/a que lhes encha a alma e lhes tempere a espera; outras, não terão ninguém por opção consciente, certas de que a Natureza as dota de capacidades mega, ultra, super sónicas que as fazem viver o momento num ai de dor que logo passa, ou que já é modernamente adormecida e disfarçada; e outras, não terão o seu príncipe ao lado, nem ninguém de amor, porque os contos de fadas há muito que deixaram de adocicar as suas vidas e estas são sim, cheias de amargura, sofrimento e valentia e é dessas que me lembro hoje... Sei que para muitas, mesmo sem magia, aquele bebé poderá ser um bálsamo de esperança, para outras, nem por isso, mas penso que, talvez, num cantinho das suas vidas, num momentinho de ternura, assim, fortuito, quem sabe, possam ficar insufladas de amor e agradecer pelo dom da vida!! 
E, para todas, uma hora pequenina....





quinta-feira, 18 de julho de 2013




PINTAR A ALMA UM BOCADINHO...


Hoje tive uma daquelas tardes boas, belíssimas de conversa com uma amiga querida, (http://agridoceedoce.blogspot.pt/2013/06/outra-irma-o-meu-irmao-mais-novo-quando.htm) daquelas conversas em que, como ela me dizia, "lavamos a alma" e entre as imensas coisas que partilhámos uma com a outra, falámos de tudo e mais alguma coisa: filhos, filhas, trabalhos, desabafos, intuições, família, girls nonsenses e escola! Sim, es-co-la!!! Somos as duas professoras, embora de ciclos diferentes e vivemos intensamente, porque estamos imiscuídas no seu epicentro, os contextos escolares atuais. O assunto foi acerca dos recentes exames nacionais e as respetivas notas que nos couberam em sorte cá em casa. Apesar do saldo doméstico não ter sido, no geral e no fim de tudo, negativo, a panorâmica nacional, nas várias disciplinas, foi muito negativa (em Português e Matemática, a nível nacional, a média geral esteve abaixo dos 50%!!!) e isso fez-nos comentar o estado geral dos alunos, adolescentes e jovens portugueses! Há questões paralelas à escola que devem ser tidas em conta e, se não são por si só causas de justificação desse insucesso generalizado, são pelo menos, consideráveis agravantes da questão: as experiências de vida, os estímulos variados, o entrosamento em vários contextos diferentes, o acesso ao conhecimento, à leitura, à cultura no geral. Viver-se num País onde a cultura é um luxo, como comentávamos, reduz substancialmente as hipóteses de sucesso e tornam-nas mais acessíveis e facilitadas a minorias cada vez mais restritas. Sei que há imensos agregados familiares (e sei-o porque lido com muita gente e oiço as conversas dos meus filhos e observo muitos contextos familiares também...) onde não se compram livros nem habitualmente, nem nunca; sei que há imensos agregados familiares onde não se vai ao cinema há anos, porque não há orçamento para o fazer com regularidade e então não se vai e até já nem se gosta muito, já nem é prazeroso fazê-lo; sei que há agregados familiares cujos filhos nunca saíram das suas zonas de residência, nem para perto, nem para longe, porque o orçamento não estica e sabe Deus, mas tem é que chegar para o essencial, ou seja, comer, vestir, calçar e pouco mais; sei que há meninos e meninas deste País que não conhecem a literatura, a música, a arte, nem que seja por uns pedacinhos pequeninos que lhes pintem a alma de tons coloridos; enfim... mas depois compram gadgets de topo, investem excessivamente na imagem, priorizam o acessório e não o essencial, não conversam, não lêem, não se habituam a olhar nos olhos, não viajam, não descobrem... até já nem priorizam e nem sentem falta daquilo que não têm, nem conhecem!!! Acabam por se habituar a uma cultura de mediania, de hábitos, de anestesia que lhes entra só pela televisão...
E acredito, mesmo, que isso se reflita depois em resultados nacionais de exames e outras coisas que espelham um pedacinho (ainda que pequenino) de todos eles!
Por isso, sempre que o meu filho disser: -Mamã, lês um bocadinho comigo??? - mesmo que esteja a dormir em pé (eu...) e mesmo que seja só um capítulo, ou dois por dia, mesmo que me apetecesse falar-lhe nessa hora de outras coisas e mesmo que não tenha, colada à leitura a caneca de chá que adoce os livros (como eu gosto de ter!), vou dizer-lhe um SIIIIIIMMMM veemente e entrar nessa viagem pequenina com ele, para que os dois, nesse pedaço de tempo roubado a uma logística doméstica impiedosa, possamos pintar a alma de um tom colorido... e isto, apesar de tudo e de todos e de todas as razões mais ou menos legítimas de cada um (e muitas são impiedosamente legítimas...), é sempre possível fazer-se... e é grátis... ainda!!!!

segunda-feira, 15 de julho de 2013





REFRESH


Ultimamente tenho dados umas voltinhas boas aqui na blogosfera e, de facto, há blogs giríssimos que tenho estado a acompanhar 
(cafecanelachocolate@blogspot.pt, ecaequeeessa@blogspot.pt, maetonino@blogspot.pt, asminhaspequenascoisas@blogspot.pt, diasdeumaprincesa@blogspot.pt)), entre outros. Acompanho os links de título e, normalmente, depois desse primeiro parágrafo, acabo por ler tudo o que está no post! Há blogs que têm designs giríssimos, com imagens super bem escolhidas, postas nos locais certos, com imensas hiperligações e etc, etc, etc. 
O meu blogue é tão pobrezinho, perto de uns e de outros... Limita-se a ter um design daqueles já pré-definidos, sem grandes "modernices", acho eu, e com tanta e tanta coisa para explorar!!! Hoje, resolvi, dar-lhe um refresh!!!! Um filho com uma otite aguda que o deixou dormir quase a tarde toda e, por arrastamento, algum resto da família também, outras filhas embevecidas com um filme daqueles lamechas, mas muito giros e um mais-que-tudo distraído com outras coisas e meio ensonado, foram os ingredientes certos para uma santa tardinha de verão, só para mim, sem chamados de emergência!!
O refresh obtido no meu blog é pouquinho também... há muito para continuar a explorar e descobrir, mas pronto, fica um arzinho diferente que faz lembrar aquelas ocasiões em que, não comprando móveis novos, mudamos tudo de sítio e o efeito psicológico é quase o mesmo, tudo cheira a novo e ficamos contentes na mesma! Acho que o meu blog terá sempre um cunho muito meu, o meu estilo, que nem sei muito bem qual é, é meu e pronto, fala daquilo que me é caro, do que me preocupa, do que me encanta, do que me chama a atenção... e isso, acho que não  mudará!
Mas esta tarde valeu pelo que vou aprendendo, aos pouquinhos, sem pressas e valeu, sobretudo, entre outras coisas, por esta imagem que descobri na Net...



Acho que, tal como o meu blog, haverá coisas que não mudam nunca, façamos nós os refresh que fizermos, não acham?

quinta-feira, 11 de julho de 2013




LETARGIA


"Inação, apatia, inércia, torpor, indiferença..." in, DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA 2011, PORTO EDITORA








Não aguento tanto calor! Gosto muito do Verão, como já tenho dito aqui  (http://agridoceedoce.blogspot.pt/2013/06/brilho-maior-lembro-me-de-ir-padaria-ao.html) mas este calor é demais! Sinto os músculos pesados, parece que estou sempre com sono, uma letargia grande, grande, como se flutuasse e não me conseguisse organizar no meio de tanta coisa que tenho para fazer inerente a uma conclusão de ano letivo. Lá as vou fazendo, à custa e apoiada nos papelinhos memorandos que me auxiliam nestas tarefas logísticas, no trabalho e também em casa, no meio de todos os assuntos pendentes que me perseguem... Depois, vão surgindo riscos, feitos a marcador grosso, que assinalam a morte de mais um pendente e vou pensando que, bem, afinal, não derreti ainda e lá vou sobrevivendo... a minha mãe diz que sou dependente do ar condicionado e sei que sim, mas sentir-me transpirada, com os cabelos colados ao pescoço, com a roupa também colada, a respirar um ar tão quente que parece queimar, não é, de facto, para mim! Admiro aquelas pessoas que conseguem, a meio de um dia de trabalho, estar esplendorosas  cheirosas, penteadíssimas, arranjadíssimas e todos os demais adjetivos na sua forma superlativa absoluta sintética. Eu não consigo e sou de uma transparência translúcida, que o calor faz aparecer, estando em modo chique durante a primeira, ou no máximo segunda horas do dia. Mas pronto, resigno-me ao facto de não ter um termostato natural assim tão eficaz que me faça habituar, pacificamente a estas temperaturas! Depois, de forma que contraria a natureza, sinto um despertar de fulgor e vivacidade, à medida que o dia vai chegando ao fim. Aí, às vezes, dá-me um pico de energia que surpreende tudo e todos e faço as coisas num virote, rapidamente, sem hesitar. Não entendo isto, nunca me dão estas ânsias, de manhã, pela fresquinha, porque será?
E assim vou flutuando no meio desta canícula abrasadora, sorvendo sofregamente o que ela tem de bom: as esplanadas à noite, os gelados, os mergulhos no mar, as férias que vão chegando, o rever de amigos e amigas veraneantes, as conversas jogadas fora à beira mar, os panachês fresquinhos só porque sim, os pratos de tremoços, o cheiro a after-suns deliciosos, as saladas fresquinhas, o gelo nas bebidas e pronto, afinal, sobrevive-se a este calor quase mortal, é verdade, mesmo que não seja em modo chique...


segunda-feira, 8 de julho de 2013








CABELOS EM PÉ




Na minha infância a minha avó materna vivia connosco, como já tenho dito aqui noutros posts e por isso, calculo que algumas das tradicionais tarefas domésticas estivessem bastante aliviadas para a minha mãe, mas apesar de tudo, lembro-me que nas nossas férias escolares ela deixava uns bilhetinhos de manhã, antes de ir trabalhar, com uma série de tarefas que tínhamos que fazer, mesmo tendo a avó em casa. Eu, normalmente, ficava com a cozinha e as ajudas no almoço e o Nuno, varria, estendia roupa e limpava as casas-de-banho. Era engraçado, porque a minha mãe parecia adivinhar aquilo que mais gostávamos de fazer e era indiferente ao facto do Nuno ser rapaz. Para ela não havia grandes distinções e era importante que eu e ele, fossemos sendo capacitados para as ajudas domésticas e então, entre outras coisas, arrumávamos a cozinha mesmo, com uma escala semanal: eu era às terças, quintas e sábados e o Nuno, às segundas, quartas e sextas. Esta lembrança ficou-me, a do registo dos dias da semana e para o resto da vida, sempre que tinha que dividir tarefas semanalmente, emocionalmente, escolhia, as terças, quintas e sábados. Não me lembro do rigor com que as cumpríamos  Éramos miúdos, por isso, calculo que a minha mãe e pai e avó estivessem sempre por detrás, a fazer o grosso da tarefa, mas que tínhamos um papel ativo, isso era certo e levávamos aquilo com rigor.
Sem dúvida que tudo o que nos formou, ajuda-nos depois a formar também, ou pelo menos serve de modelo que aplicamos. Hoje, tenho três filhos... duas adolescentes e um caçula reguila, que lhes vai logo na peugada e estão os três de férias, com dias completos de ócio e descanso que faz tão bem e que é tão merecido, claro que sim, mas sou completamente inflexível  neste assunto: deixo-lhes bilhetinhos de manhã com tarefas para cumprirem, individualizadas para cada um, para que não haja motivo de discussão e dos eternos "não era eu, era ela, ou ele, e porque eu já fiz e ele não fez, etc, etc, etc...". Tento no que lhes peço, corresponder ao gosto de cada um, forçar um bocadinho a nota para que não seja uma chatice maior, mas mesmo assim confesso que resistem, fazem pressão, tentam evitar as tarefas, mas esbarram na minha intransigência absoluta neste assunto e fico de cabelos em pé se não cumprem. O pai, mais discreto no gesto, acompanha-me, no entanto, nesta odisseia maior! Não há discussão possível. É assim e pronto e ponto!
A minha casa nunca está um brinquinho na mesma... a minha cozinha tem sempre loiça para lavar na mesma, a senhora que me dá uma ajuda semanalmente tem sempre uma enormidade de coisas para fazer na mesma, acho sempre que a casa das minhas amigas está muito mais limpa e arrumada e cheirosa que a minha, desgasto-me neste oceano doméstico chamado "lida da casa", fico esbaforida, cansada, irritada, desgastada, saturada com a casa, mas procuro relativizar e entrar em modo zen e pensar que um dia, talvez um dia, quem sabe, estes meus três filhos possam perceber que a intenção destes bilhetinhos, não é só mais uma imposição firme e dura da autoridade materna, mas que percebam muito mais além disso: a intenção destes bilhetinhos é enquadrá-los num contexto de respeito, partilha de tarefas, pequenas ajudas proporcionais à idade e capacidade, e também autonomia.
Haverá coisa mais entediante e demodé que um homem e/ou mulher adultos não saberem gerir-se autonomamente num espaço chamado casa?
E então, mesmo em jeito "cabelos em pé", boas lides....


quarta-feira, 3 de julho de 2013

De preferência, sem nevoeiro, pode ser?






O meu interesse por política resume-se quase só a uma análise informal e a uma curiosidade q.b das atitudes e comportamentos das pessoas que polulam na nossa pequena e mediática ribalta! Contra mim falo, assumo, já que uma certa dose de consciência política é saudável e deve fazer parte do nosso sentido cívico e de cidadania, quase como se, não a tendo, fossemos cidadãos um bocadinho mais amorfos, incompletos e, sobretudo, pouco dignos da herança sofrida, mas ganha, de liberdade, que as gerações antes da minha conquistaram. A falta desta vertente vincada, não me retira, no entanto, capacidade crítica, interesse e alguma (pouca, às vezes!) curiosidade para os fenómenos que nos envolvem, mas é como se os observasse de longe, dentro de uma "bolha" que flutua e é cheia de coisas e pequenos nadas, distantes, muito distantes de tudo o que caracteriza essas pessoas, políticas, da tal pequena e mediática ribalta...
Enfim, vou seguindo os fenómenos que se vão passando e às vezes vou  esperando ficar "inflamada" com personalidades que, de vez em quando surgem, assim, do nada, levando-nos atrás de si, para o bem e/ou para o mal, porque nos contagiam com a sua eloquência, capacidade de liderança, visão estratégica, de conjunto, ou de futuro... A história de "dentro de portas" e de "fora de portas", do passado mais remoto e do outro mais recente, está cheia, felizmente, de gente dessa e ainda bem, ufa, é sinal de que nem tudo está perdido.
E então, vou olhando à volta, mesmo com a minha vertente "morna" da política e vou pensando e desejando que apareça alguém assim...
Sebastianismo?? Acho que não!!! Este, ou esta, preferia que viesse sem o modo pseudo-fantasma, fosse bem real, nos arrebatasse nem que fosse só um bocadinho e nos fizesse de novo acreditar, ou pelo menos, respirar fundo, de olhos fechados e ... com ânimo!!
Ah, já agora, de preferência, que viesse sem nevoeiro, pode ser?



terça-feira, 2 de julho de 2013

A TODO O GÁS




Acontece-me muitas vezes ir quase a chegar ao meu destino, quando conduzo, e começar uma música de que gosto muito. Então, adio um pouco a paragem do carro e dou mais uma voltinha, por mais uma ruinha, porque aquela música é irresistível! Já tenho dito aqui que a condução em estrada, a par de uma boa música que se vai ouvindo, é para mim um ótimo relaxante, vá-se lá entender porquê! Lembro-me que, quando era pequenina e íamos à feira andar nos carrosséis, os meus preferidos eram os carrinhos, não os de choque que eram perigosos para mim naquela idade, mas os outros, aqueles que andavam todos em filinha, tipo caravana. Eu, sentava-me ao volante e imaginava-me crescida, a conduzir de verdade e lembro-me do jeito que dava à mão, enquanto lhe fazia deslizar o volante, como via os adultos a fazerem. No dia em que tirei a carta de condução, nessa tarde, conduzi um carro novo, enorme, proibido para quase todos e lembro-me que me obriguei a contrariar os nervos, achando que "se era para ser, que fosse já!"... Nas viagens de carro que fazemos, se por acaso são longas, já se sabe que uma das voltas (para lá, ou para cá) é conduzida por mim, pois é uma coisa que adoro, se bem que aí, sou eu que escolho também a  música que se vai ouvindo. O prazer da condução tem que ter o complemento do prazer da música. Até costumo dizer, por graça, que me imaginava com a carta de pesados, que seria uma coisa que gostaria de saber fazer! Enfim, não paro nunca para pensar de onde me virá este gosto, é assim e pronto e há coisas que não se explicam! 
Hoje aconteceu-me, a chegar ao meu destino de manhã, começar uma música imperdível dos Queen (não serão todas imperdíveis?)... eh pá, não consegui parar o carro! Tive que ouvi-la até ao fim, aumentando em mais 5 minutos o meu já algum atraso matinal que se sistematiza assim que os miúdos entram de férias!!! E a música veio mesmo a calhar... "under pressure", o que me fez lembrar "sobre pressão", "a todo o gás," que é exatamente da forma que melhor funciono quando tenho qualquer coisa para fazer e que se anda a arrastar, a arrastar, a arrastar.... aquelas coisas chatas, entediantes que temos que fazer, mas que nos aborrecem, sejam elas do trabalho, de casa, ou do que quer que seja...
E também nisto sou tão diferente do meu mais-que-tudo! Tenho em casa, mesmo aqui à mão e vivido na primeira pessoa, um palco com dois atores tão diferentes, mas que se completam tão bem, pelo menos será esse o resultado que se evidencia, julgo eu, no fim de tudo! Como se o contraste resultasse num apuramento da cor! 
Eu funciono bem sobre essa pressão. Se tenho qualquer coisa para fazer, com prazos para cumprir e muita logística envolvente e inadiável para gerir, funciono em modo "caos organizado", a todo o gás, respondendo a um ritmo frenético, mas eficaz, o que resulta sempre em prazos cumpridos e objetivos atingidos. O meu espírito prático faz-me priorizar, organizar, relativizar, enfatizar, conforme o tempo disponível, o espaço, a hora e o objetivo. Acredito que esta propensão para "fazer várias coisas" (e bem!) ao mesmo tempo, não seja só pessoal, mas comum ao género feminino. Como cuidariam as mães de si próprias, de vários filhos e de trabalho e de casas e maridos e tudo e tudo e tudo o mais que têm para cuidar se não tivessem oculta e escondida no mais fundo do seu código genético, uma capacidade para assim ser?
O meu mais-que-tudo não! É ultra, mega organizado, ponderado, metódico, necessita de tempo e calma e sossego e silêncio (tudo o que às vezes eu não tenho... pelo menos da forma gratuita que ele tem...) para fazer as coisas, para estruturar no tempo o que eu estruturo no momento, instintivamente... Tem uma grande capacidade de organização, mas não funciona sobre pressão! Se para mim, a pressa resulta muitas vezes em eficiência e resolução, para ele, resulta quase sempre em agitação, nervoseiras e perfeições que deixam muito a desejar, no seu entender e eu acho que é só no seu entender...
Mas pronto, no final, quem resiste a isto?











DOSSIERS ... À medida que vou fechando dossiers , vou registando sinapses cerebrais que me alertam para o quase, quase, quase que est...