sexta-feira, 20 de abril de 2018




SÓ PORQUE SIM..





Não sei o que é. Não sei se haverá um nome para isto, ou se o nome poderá ser aquele que se quiser. Não consigo quantificar o tamanho e a intensidade com que o sinto, porque o tamanho e a intensidade com que o sinto afloram-me a pele de maneiras diferentes todos os dias. Mas afloram. E estão lá. Num tamanho e numa intensidade reais e palpáveis, quaisquer que sejam as circunstâncias. Porque tu és real na minha vida e porque eu gosto dessa realidade, como se fizesses parte de mim, mesmo sem me tirares uma unicidade que me distingue e me torna única perante todos os outros indivíduos. Uma unicidade de que gosto muito e não me afasta de ti, ao contrário, fortalece-me e aproxima-me. Porque me deste uma história que partilho contigo e gosto de partilhar. Porque me fazes partilhar sonhos e cuidados que deixam de ser só meus. Porque acarinhas os meus sonhos e os meus cuidados e eu os teus, só-porque-sim. Porque apesar dos filhos e da vida e do peso das coisas, continuo a ver-te só  a ti, como se os filhos, a vida e o peso das coisas não te conseguissem desfocar, mesmo que às vezes o risco seja esse e esteja mesmo ali, silencioso e implacável como um precipício que nos faz mergulhar. Porque se calhar isto que temos continua a ser único e sobrevivente.
Porque os porques não acabariam, ou só porque-sim. 
Acho que sim, o nome disto pode ser o que quisermos dar. E o meu, eu sei qual é.


terça-feira, 10 de abril de 2018






TÃO-CERTO-E-CERTEIRO

Mandou-me um link desta publicação que viu na Net. Entre o bombardeio de coisas que tenho para fazer e gerir mal ponho um pé na escola, consegui passar os olhos pelo escrito e perceber que me identifico com todas as frases e linhas e palavras e afirmações aqui descritas. E fiquei orgulhosa dele, por me ter mandado isto, pois sei que também é assim. A genética aproximou-nos nestas características e nestes "sentires".

Não é mensurável, a empatia. Não se quantifica, não se mede em taxas de sucesso que pode fazer alcançar. Não é expressa em grelhas de observação, ou em gráficos de folhas de cálculo. Penso também que não é uma coisa que se treine grandemente, ou pelo menos para sempre: ou se tem, ou não se tem. Ou se é (empático-a-), ou não se é. Será uma coisa mais ou menos genuína, inscrita no DNA com que nascemos. Será uma coisa que vem "à boleia" da inteligência emocional e esta também não é facilmente medível. Aparada,  burilada, aperfeiçoada, mais atenta, mais atuante, mas não medível, ou quantificada.

Pois, pois... é verdade, isto! E o problema é que cada vez me identifico mais com coisas assim que não se medem, não se apalpam, não se tocam, não são tangíveis, nem expressas em números. São da ordem do subtil, do intuitivo, do sensível, daquilo que não se vê, mas sente-se e é tão-certo-e-certeiro-como-estarmos-aqui. E agora?






P.S. Quanto a ti, maninho... sempre certeiro!!
LUV U!!



terça-feira, 27 de março de 2018






REVOLUÇÃO


A emoção será sempre uma característica minha. Sou emotiva e sensível à forma, ao ar, ao tom como se dizem as coisas. A intuição entra-me pelo corpo e faz de radar para descortinar sentires e saberes, posturas e formas de estar.
Verei sempre nas entrelinhas e terei sempre jeito para adivinhar o ar que se respira nos ambientes onde estou. Sinto-me uma pessoa assertiva e prática e, embora não se deva ser juiz em causa própria, isso tem-me valido em várias situações.
Mas às vezes dá trabalho. Às vezes gostava de ser implacável e fria, usando isso para resolver assuntos de forma rápida e não me melindrar e ferir com eles. Diria, faria e aconteceria e lá seguiria eu, pronta e fresca para o próximo problema. Mas não. Preciso de lamber feridas e de carpir um bocadinho. De medir desabafos, de procurar um ombro e de estar sozinha, fazendo as minhas profilaxias mentais que me dão conta do ponto de situação.
E de repente, como um mecanismo químico, orgânico, fisiológico, emocional e sei-lá-mais-o-quê surjo renovada, pronta e animada de novo.
É assim. Cada um com o seu estilo e forma. Cada um com o seu temperamento. E este meu diz-me também que a lagriminha-ao-canto-do-olho, esta certa forma de me emocionar facilmente, não é fraqueza não senhor. É talvez e sim, uma certa forma de ser... revolucionária?
Ufa! Espero que sim!!!




"Há que endurecer sem jamais perder a ternura..."
-Che Guevara-



quarta-feira, 21 de março de 2018






MEMÓRIAS






Por circunstâncias várias, dei comigo hoje a explorar gavetas da casa da minha mãe. Recordações soltas, imagens várias, fotografias de tantas partes da nossa vida.
Já não me lembrava desta. Sempre a adorei e tinha-lhe perdido o rasto, no meio das dezenas e dezenas e dezenas de fotografias que se vão tendo, ao longo da vida. Já não há álbuns, como havia, físicos, de papel, que se folheiam e levam debaixo do braço e, no meio da dispersão digital, mais ou menos organizada, esta perdeu-se. Hoje reencontrei-a sem querer. E  a memória fez o resto.
Lembro-me perfeitamente do dia feliz em que foi tirada. Estava um frio de morte, mas tu, foi na rua que quiseste brincar, como sempre.
E de repente, vi que se passaram mais de 10 anos desde este foto. E de repente achei que não dei por esse tempo a passar. E de repente lembrei-me que sim, já és o mais alto cá de casa e que a tua irmã mais velha já faz 21 anos e a outra, 18. E de repente dei por mim a pensar que não sei como isso aconteceu...

Eh pá!!! Vou ali respirar fundo e já venho!!!!


sexta-feira, 16 de março de 2018




CAMINHO DOURADO

É engraçado como vamos sentindo, por estes dias, a vida a correr e a desenrolar-se em fases que achávamos sempre que estavam tão longe e que agora, de repente, estão mesmo aqui. E assim, damos por nós no meio de situações que estão a acontecer aqui e agora, com uma inevitabilidade que nos torna impotentes para as rebater. E é assim mesmo, a vida. 
Agarro-me ao sentido prático que me caracteriza um pedacinho e ponho-o a mexer, a mexer fortemente, para me ir amparando o caminho e tornando-o tão inevitável, como normal.
E assim, mesmo que ao mesmo tempo a vida siga, teimosa, com todos os seus outros assuntos e coisas que não param de acontecer, acho que o nosso cérebro se vai habituando às novidades dessa vida e nos vai dando defesas, formas e posturas de adaptação. E então seremos capazes sim, com normalidade e leveza de as levar.
Que assim continue e que assim continues a estar sempre comigo, a dourar o meu caminho e a prepará-lo para estes três.


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018






RELÓGIO SUÍÇO


E no meio da loucura de vida que se tem, parece que, às vezes deixamos de nos ver, contrariando a ideia de que o dia-a-dia e a coabitação nos tornam sempre presença vibrante. Não, às vezes não. Podem mesmo tornar-nos invisíveis, apesar de estarmos ali. Estamos e não vemos, falamos e não olhamos, sentimos e não pensamos, como se vivêssemos numa centrifugado que nos tira a energia. Pode ser uma coisa normal nas relações longas, acho eu, sejam elas de que cariz for. 
Mas depois também há um mecanismo de relógio suíço, vindo não-sei-de-onde que não falha e que nos dá a vontade de estar e de falar, de olhar e de tocar, de sussurrar e de ouvir. E este mecanismo de relógio suíço que (acho) não avaria, dá-nos vontade de namorar, de fazer pedidos parvos que fazem parte de nós: de ir ao cinema, de comer pipocas, de ver filmes tontos e repetidos as tardes inteiras na televisão, de falar sobre nada e sobre tudo, de estar só, contigo e comigo porque és tu e sou eu e porque fazemos parte um do outro, mesmo que sejamos, por vezes, insuportáveis. Aí a prioridade passamos a ser nós e a descoberta é sempre maravilhosa: A de TI E DE MIM, com todo o capital de vida, esperança e projeto que trouxemos para esta vida em comum.
E é sempre tão bom!
LUV U.



P.S. Há quem diga que os relógios suíços são os melhores...




quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018




OLHO-NO-OLHO


Passou-me pelos olhos o post que falava acerca da dependência dos adolescentes pela Internet, do recurso excessivo que fazem dos ecrãs, da importância das redes sociais nas suas vidas, da interrogação acerca da dose exagerada de gadgets e afins que utilizam e isso transportou-me logo, de seguida, para o grandessíssimo risco de termos uma geração que se habituará a descurar a relação interpessoal, que se desabituará de olhar olho-no-olho, de tocar pele-na-pele, que não achará importante descobrir o tom dos olhos, a cor do sorriso, os cheiros, que não dará importância ao face-to-face, que se transformará, aos bocadinhos, se não tivermos cuidado, numa espécie de executores de um certo automatismo eficaz, mas despido de tanta coisa importante.
Não acho que esteja a exagerar.
Trabalho com crianças e adolescentes e tenho três filhos. Os gadgets e as redes sociais fazem parte das suas vidas e da minha também. Reconheço os riscos, mas também as inúmeras vantagens e mais-valias e sei que neste equilíbrio é que estará o ganho, encarando isto como uma coisa que veio para ficar, mas que deve ser gerida por nós, não nos substituindo, nem nos retirando a primazia.
Gostaria que os meus filhos, mesmo sendo miúdos dos dias de hoje, não descurassem tudo o que refiro acima. Gostaria que as tecnologias lhes dessem inúmeras vantagens e reforços, mas que NUNCA os substituíssem como sujeitos principais e como protagonistas das relações que estabelecem. Gostaria que  continuassem a escrever cartas e mensagens, mesmo que sejam de amor e mesmo que seja num teclado, gostaria que preferissem sempre explicar ao vivo os argumentos que sustentam as suas opiniões (quaisquer que elas sejam), que gostassem do toque e do olhar, que privilegiassem o sorriso, que não se escudassem atrás de um ecrã, por muito tentador que isso lhes pareça. Gostaria que aprendessem a gerir olhares e impressões, reconhecendo para si próprios um poder avaliativo e emocional que nenhum ecrã substitui e gostaria que integrassem tudo isto, de forma equilibrada e harmoniosa no feitio, ritmo de vida e personalidade de cada um. Esse é o segredo e o mais importante. E é um caminho que cada um deve MESMO fazer.
Pedir muito? Acho que não, até porque, haverá lá coisa melhor que um olho-no-olho?
Pois...



P.S- Há coisas para as quais não se precisa de gadget nenhum...
  

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018





DE OUTRO MUNDO

Às vezes sinto que podia fazer muito mais e diferente. Encher o dia de coisas originais e dinâmicas, que marcassem pela diferença e (alguma) excentricidade. Enumero mentalmente tudo o que poderia fazer aqui, ali e acoli e não faço. Revejo-me em situações imaginárias em que poderia estar envolvida. Mas depois deparo-me com alguma inércia que os dias carregam, com o peso das logisticas de sistemas que são pesados e obsoletos, com cansaços meus e com coisas que não são como deveriam ser. E assim, às vezes neste misto de sensações vou passando os dias. 
Um dia um colega disse-me que iam haver muitos dias em que acharia que nada fizera, numa sensação de impotência, quase frustração. As aprendizagens formais, com estes alunos, são reduzidas, quase nulas e não me poderia centrar aí. 
E depois há aqueles dias em que achamos que fazemos tudo igual, mas nos agradecem, penhoradamente, como se o que dizemos ou fazemos fosse do outro mundo. Há aqueles dias em que correm para nós e nos dizem "gosto de ti, professora". E aí estes tais dias de uma certa impotência que se sente deixam de pesar, pois percebemos que se calhar o importante é a genuidade que pomos quando lhes falamos, ou a sinceridade do sorriso que lhes damos. E isso, mesmo correndo ao lado do peso dos sistemas, da falência de paradigmas, da rigidez de regras e normas que não conseguimos suplantar, faz a diferença e devolve significado ao nosso trabalho de todos os dias. 
Cá por mim, o "gosto de ti, professora", vai bastar por hoje. E encher-me o ❤️ Por mais uns dias. 



terça-feira, 30 de janeiro de 2018





FASQUIAS


Estar sentada num café, cravejado de miudagem do liceu, enquanto faço tempo, revela-se sempre como uma experiência digna de registo. Enquanto bebi o café, limitei-me a observar e a ouvir. Um fenómeno... Aqueles miúdos vestem-se todos da mesma maneira, usam os mesmos acessórios, têm os mesmos penteados e, sobretudo, falam horrivelmente mal. Todos, sem exeção, daqueles que ali estavam, rapazes e raparigas. Um fenómeno (quase) aterrador. 
Eu, que não me considero puritana, que acho que tenho capacidade de encaixe, que tenho um estilo relativamente informal, que acho que o viverem todos em carneirada é próprio da idade, que tenho filhos dessas idades, que estou habituadíssima a esta malta, não pude deixar de sentir um desconforto acentuado, mesmo assim. Não há frase sem palavrão, não há palavrão repetido duas e três vezes no mesmo diálogo, não há um certo estilo menos bonito (quanto a mim) que não impere. Não, não estou a exagerar. É a mais pura das verdades e isto nem me devia surpreender, já que nos corredores das escolas, é igual.

Pois cá para mim surpreende-me sempre e continuo a achar que não há nada de mais encantador que um estilo rebelde SIM, mas com-um-quê-de-diferente. Um quê que não se sabe explicar, mas que se percebe logo no princípio. Pode ser no estilo, na linguagem, nas opiniões, no saber-estar, no sorriso, na eloquência, na sensibilidade, inteligência, rebeldia saudável, pode ser naquilo que se queira. Pode ser em qualquer coisa que só nós é que vemos, mas que vemos porque é real de verdade. E tem que existir. E esse filtro tem que ser nosso e exigente e ativo e presente e real. Esse filtro vai ajudar-nos a escolher e a ser seletivos de uma forma saudável e que faça com que a nossa escolha seja única e tão importante. Tão especial.

Foi isso que lhes disse assim que cheguei a casa. 
-Hum mãe, e estás a lembrar-te de alguém assim?
- Ai essa agora... claro que sim. É o que vale, é que há imensa gente assim. Basta olhar com atenção e saber escolher...
E pronto, ficou o recado!


P.S. E não se esqueçam: elevar a fasquia e marcar também pela diferença... SEMPRE! É que o filtro é só vosso...


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018







MOMENTOS DE CADA TEMPO



O passar do tempo, tão rápido, diz-me, de repente, que o janeiro já lá vai. Sei também que o fevereiro passará rápido, a uma velocidade imperiosa que pouco poderei controlar. E sem dar por isso, estarei na Primavera, assim num ai repentino.
Esta marcha célere do tempo traz-me à lembrança uma série de assuntos pendentes que se desenrolarão por estes dias e meses. Nunca fui muito de pensar nas coisas com grande antecipação. Acho que o meu espírito prático faz-me encarar os futuros próximos da vida sempre com algum pragmatismo, do tem-que-ser-e-agora? E isso facilita-me a vida. Faz-me (um pouquinho mais) descontraída.
Mas confesso que às vezes, o que me apetecia mesmo era congelar-me nalguns momentos, dias e situações que vivi e onde estive despreocupada, liberta, solta destes assuntos que, à data, ainda estavam longe e muito distantes. O gelo conservá-los-ia sempre numa aura de leveza e descontração e eu voltaria  eles sempre que me apetecesse, entrando no bloco hermético de gelo que os rodeia e vivendo-os outra vez. Despreocupada, solta e liberta.

Mas não se vivem as mesmas coisas duas vezes e acho que o segredo será o deixar esses momentos, transformados em memórias, sossegadinhos onde estão. A apetrechar a lembrança com retalhos maravilhosos que compõem a vida de cada um. A dar-nos história e recordações.
E depois viver a vida, com os momentos de cada tempo a falarem por si. E se os momentos de agora têm preocupações mais-ou-menos pendentes, pois que seja. Cá estaremos para elas.
Afinal, a vida é composta disto, acho eu. 



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018






SOPHIE EYES





São o espelho da alma, é que se diz. Conseguem passar mensagens que ficam silenciadas pela voz e então, às vezes, os olhos, tornam-se o canal preferido para transportar vozes, explicar emoções, dar recados, viver sentimentos, sensações e fazer ouvir dizeres. Bastará às vezes prestar atenção à figura toda do OUTRO e em especial, à forma que os olhos ganham e ao peso que transportam, daquilo que nos querem, TEIMOSOS, dizer. E todos os olhos são bonitos, porque todos os olhos nos podem trazer uma verdade do OUTRO. Para mim, que sou tua mãe, os teus são lindos, claro...

E sabes querida, quando uns olhos bonitos se aliam a outros encantos de coração e de espírito, que podes (e deves) valorizar, tornas-te, sem querer e se calhar, irresistível. 
A sério...




segunda-feira, 15 de janeiro de 2018




INVÓLUCROS


Tento ter sempre algum pudor e reserva em criticar, por criticar. Nunca se sabe o contexto todo e gosto de ver sempre (tento, pelo menos...) as duas partes, ou melhor, tento imaginar qual terá sido a intenção que esteve na génese de qualquer coisa e que depois, no caminho, se perdeu.
Por isso, o que vou dizer sobre o programa de ontem na SIC, Super Nanny, é quase instintivo e representa só a minha opinião que, como todas as opiniões, vale o que vale. Vejo pouquíssima televisão, no que aos quatro canais nacionais se refere, mas confesso, tinha alguma curiosidade, sobretudo porque o ar da senhora Psicóloga, mostrado no genérico, não me atraiu. Como ao mesmo tempo, não me queria centrar no ar, pensei... "deixa lá ver o que sai daqui"...
Até reconheço como certas algumas sugestões que a Sra Psicóloga deu, embora não tenha gostado nada do ar, da forma, do contexto, mas isso, enfim, sou eu... A necessidade das regras, a firmeza, a importância da expressão facial e vocal que emitem uma mensagem e a ligação que isso tem que ter com o que dizemos e fazemos, a necessidade da sustentação da autoridade da mãe, a (des)sintonia entre os dois adultos referência (mãe e avó) e os consequentes prejuízos para a miúda, a importância do persistir no que se determina etc, etc, etc; mas pareceu-me tudo por decreto, forçado, sem a envolvência do afeto regulador, sem a cola que o dia-a-dia traz e que pode ser equilibradora, sem a espontaneidade (da mãe) aplicando uma coisa que aprendeu e que agora  faz, porque é aquilo em que acredita, sem, sem, sem, 1000 vezes sem... 
Claro, somos todos adultos e sabemos todos qual é o invólucro que a televisão dá às coisas e foi esse invólucro colorido que nos apresentaram: duas ou três coisas que se aprendem por decreto e que têm que se experimentar, sendo sempre consequentes, boas e super pedagógicas alterações comportamentais. A miúda passa agora a portar-se bem e pronto. Aquela mãe aprendeu tudo, tudinho e está pronta para a aventura que é e será sempre a de educar a sua filha.
Claro que se reconhecem ali muitas fragilidades na miúda e muitas consequências de uma negação das regras e fragilidade emocional, mas sinceramente a sensação com que fiquei no fim do programa foi a de uma grandessíssima pena da mãe, não só porque se predispôs a expôr-se assim a si própria e à filha (já nem vou por aí...), como também e sobretudo porque tem altos défices de um bom exercício de parentalidade. Ninguém nos ensina a sermos pais e mães e avós e avôs, poderá dizer-se ... e é verdade. É a vida, a intuição, a educação, a sorte, a herança emocional/educacional/cultural que se traz, é tudo isso que nos capacita. Mas também,  aprender assim, com milhões de pessoas a olharem para nós, nús na nossa fragilidade, expostos, frágeis e voláteis, vou ali e já venho. 
E isto, esta adesão cega a este ecrã macroscópico que nos expõe, naquilo que temos de mais íntimo, valioso e regulador como é a nossa relação com os nossos filhos, isto é que tem de ser questionado. Ou não será?



P.S. E que nunca se perca a capacidade de pensar e de ter opinião, qualquer que ela seja...



terça-feira, 9 de janeiro de 2018





UM-QUÊ-QUALQUER


Pode dizer-se a mesma coisa, mas o tom com que se diz fará sempre a diferença. Haverá sempre volume de trabalho violento e dureza na gestão do tempo, qualquer que seja a nossa vida, porque temos todos mil afazeres e prioridades, mas a relação, a cordialidade, o ter um pedacinho de "um-quê-qualquer" que nos faz ter às vezes um olhar diferente, aquele festa no braço, aquele sorriso escondido, aquele telefonema, aquela mensagem, aquela atenção que soa a tão estranho, mas que só é tão normal, fará sempre toda a diferença. Não me canso de dizer isto e penso mesmo assim: a relação interpessoal faz a diferença e marca o ascendente (ou descendente) que temos no OUTRO. E essa relação interpessoal conquista-se, educa-seconstrói-se. Não se aprende nos livros, e muitas vezes, (infelizmente) não se aprende na escola. Aprende-se nas relações que estabelecemos, com aquela malta toda que está à nossa volta.
Haverá sempre gente mais e gente menos sensibilizada para isto. Haverá sempre aqueles para quem isto é conversa fiada, que não conta para nada, sobretudo para nenhum barómetro de eficácia e haverá depois sempre aqueles que, como eu, por parvoíce, ingenuidade, ou teimosia, acham que isto sim, faz toda a diferença.
Capacidade de relação? Entrega? Cordialidade? Dispôr do meu/nosso tempo? Generosidade? Trabalho de equipa? Liderança democrática? Segurança com sabor a descontração?  Informalidade assumida? Rigor? Persistência naquilo em que se acredita? 
Pois... é um estilo, ah pois é, mas é aquele que tenho.
Para o melhor e para o pior!



P.S. E quando se assume um estilo, não se perde tempo a pensar como NÃO conseguiríamos ser...